sábado, 22 de agosto de 2020

DIA: 158

Mais de cinco meses se passaram e parece que o "novo normal" foi se enraizando no nosso dia a dia. O que parecia difícil, no início, como ir ao supermercado de máscara, chegar em casa, cumprir todo um protocolo de higienização, agora é rotineiro, que fazemos quase no piloto automático. Só não sabíamos que a essa altura do tempo ainda estaríamos a passar por isso. Acredito que, mesmo depois da vacina, ainda vamos nos pegar praticando esses hábitos no dia a dia por um bom tempo.

E as aulas remotas? De início, pedíamos para os alunos ligarem as câmeras, fazíamos testes antes de iniciar, foi preciso todo um processo de adaptação para começamos a trabalhar e darmos nossas aulas no computador. Hoje, também estamos "quase" no automático. Digo isso, pois esse meio para trabalhar o ensino e a aprendizagem não é consenso entre tod@s. Porém, adquirimos uma certa "autoridade" para trabalhar por meio remoto, de maneira síncrona.

Houve quem adaptasse suas aulas e projetos presenciais para o modelo remoto e outros que já trabalhavam com as novas tecnologias de aprendizagem. Eu, particularmente, encaixo-me no segundo caso. Desde o ano de 2019, venho trabalhando as novas tecnologias e metodologias ativas com os meus alunos. Mantinha duas salas virtuais, de apoio e com material complementar as minhas aulas. Também desenvolvi um projeto de Gamificação no Ensino de Sociologia, cujos resultados seriam apresentados num Evento Internacional de Educação e Aprendizagem em Chicago, EUA, mas que foi adiado em razão da pandemia.

Então posso dizer que, para mim, não foi difícil migrar para o modelo remoto, pois já compreendia o funcionamento das plataformas de ensino. Na época, acenava para as dificuldades e barreiras econômicas e sociais, enfrentadas por muito de nossos alunos, para ter acesso as aulas ofertadas por esse meio. Sabemos que a dificuldade em acessar a internet ainda é uma realidade para a maioria da população, sobretudo, em idade escolar, para participar das aulas remotas e à distância.

Ainda assim, como antropóloga e socióloga, não posso me furtar à análise de que as desigualdades sociais são reversíveis e que um caminho para isso é a implementação de políticas sociais, que atendam as reais necessidades da população. E a educação não pode ficar de fora! Então, acredito sim, que um bom direcionamento dos recursos públicos (para esse fim) colocará cada sujeito com a posse dos "instrumentais necessários" para garantir sua aprendizagem, bem como, cada um, no seu devido "lugar", de direito, nessa sociedade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

DIA 142:
Após quinze dias de férias retornei ao trabalho [remoto] novamente. Chegamos a um cenário com quase 100 mil mortos no Brasil e um platô de mais de mil vítimas diárias da covid-19. Isso nos dá um sentimento de tristeza e ainda mais incerteza. Por mais que haja pressão de todos os lados para o retorno às atividades comerciais e funcionamento presencial das escolas, não temos condições e não teremos, ainda, de voltar, por um longo tempo.
Como já relatei anteriormente, sou professora de uma escola pública federal e venho trabalhando por meio remoto, como aulas síncronas, desde o início da pandemia. Tenho consciência, que as aulas por meio remoto não substituem a riqueza e o valor de se aprender em interação presencial aluno - professor. Porém a crise sanitária de proporção global nos impôs a isso. Sei também, como antropóloga e socióloga, do abismo que existe entre ricos e pobres, que milhões de pessoas não tem como assistir as aulas por falta de acesso às novas tecnologias.
Contudo, penso que não é negando as aulas remotas, que vamos resolver o problema. Discurso do tipo que os EUA e a China disputam o domínio da tecnologia 5G e quem controlar a 5G vai dominar o mundo, e que por isso nos deveríamos ser críticos em relação ao que está por trás das aulas remotas, digo o seguinte: basta olharmos em nossa volta e um pouquinho para história e veremos que os EUA vem há muito tempo capitaneando a liderança econômica global e que as desigualdades sociais são históricas e sempre estiveram presentes. A questão é: o que vamos fazer com essa informação? Vamos nos resignar? Vamos cair na própria armadilha do "negacionismo"?
Os professores ocupam um papel importantíssimo e, ainda que tenhamos que atravessar esse período, que ainda não sabemos quanto tempo vai durar, e fazer uso do ensino à distância, das aulas remotas, das novas tecnologias, isso não diminuirá jamais sua relevância. O que não podemos é deixar um "espaço vazio", pois ai estaríamos nos rendendo. É chegada a hora de cada professor mostrar o seu devido valor e ocupar os espaços, mesmo que sejam "virtuais". E se for para negar alguma coisa, que seja o direito de usar a nossa imagem, a nossa fala, o nosso conhecimento, conquistado com o nosso suor, fazendo mestrado, doutorado, pós-doutorado, a bel prazer do mercado.
Que possamos, urgentemente, preencher esse "vazio", pois o inimigo está à porta!

quarta-feira, 15 de julho de 2020

DIA 120:
Quando não houver palavras capazes de expressar o que está sentindo o seu coração, entregue-se ao silêncio. Ele é acolhedor e diz muito mais do que qualquer palavra. RG

terça-feira, 14 de julho de 2020

DIA 119:
Hoje, com mais de 1.300 mortes em 24 horas, caminhamos para um futuro incerto. Com a abertura do comércio, mesmo com um platô de casos médios de covid-19 em torno de mil mortes diárias, as pessoas vão retomando suas vidas, enchendo shopings, balneários e praias.
As redes de solidariedade que se formaram no início da pandemia vão aos poucos diminuindo e, parece, que as pessoas tem perdido o senso de responsabilidade com o "outro", algo tão caro nesses tempos de pandemia.... o medo de perder a vida parece já não assombrar, sobretudo aqueles que conseguiram sobreviver a covid-19.
Olho tudo isso com muita tristeza, mas permaneço firme no meu propósito, pois tive a felicidade de poder atravessar essa pandemia trabalhando de casa, então é nela que permaneço, só saio para as atividades essenciais como ir ao médico ou ao supermercado. Sei que muitos não tiveram a mesma sorte e perderam suas vidas na linha de frente de enfrentamento do novocoronavírus.
Por todos os profissionais que precisam sair de suas casas para exercer seu métier, por todas as vítimas da covid-19, pela minha família e pelo tempo que meu trabalho me manter em atividade remota, permanecerei em casa. 🏠❤

segunda-feira, 13 de julho de 2020

domingo, 12 de julho de 2020

DIA 117:
Temos que fazer o melhor que pudemos. Esta é a nossa sagrada responsabilidade humana.
Albert Einstein

sábado, 11 de julho de 2020

DIA 116:
- Responsabilidade de que?
- Responsabilidade de ter olhos quando os outros perderam.
José Saramago

sexta-feira, 10 de julho de 2020

DIA 115:
Hoje o Brasil passou de 70 mil mortes pelo novo coronavírus. Foram 70.524 vidas perdidas...

quinta-feira, 9 de julho de 2020

DIA 114:
A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.
Confúcio.

terça-feira, 7 de julho de 2020

DIA 112:
Só se vê bem com o ❤. O essencial é invisível aos olhos.
Antoine de Saint Exupéry

segunda-feira, 6 de julho de 2020

DIA 111:
Sobre aprender quem podemos SER!

Um antropólogo fez uma brincadeira com as crianças de uma etnia africana. Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que a primeira que chegasse na árvore ganharia todas as frutas. Dado o sinal todas as crianças saíram e chegaram ao mesmo tempo. Então sentaram-se juntas para aproveitar da recompensa. Quando o antropólogo perguntou porque eles haviam agido desta forma, sabendo que um deles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: "Ubuntu, Como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?"

UBUNTU na cultura Xhosa significa: "Eu sou porque nós somos".

Essa experiência foi contada em:
www.jornalciencia.com

Que UBUNTU faça algum sentido dentro de você. Um forte abraço!

domingo, 5 de julho de 2020

DIA 110:

DIA 109:
Só por hoje:
Não se zangue,
Não se preocupe,
Seja grato,Trabalhe com diligência, Seja gentil com as pessoas.
Todas as manhãs e à noite, junte as mãos
em meditação e ore com o seu CORAÇÃO.
Mikao  Usui

sexta-feira, 3 de julho de 2020

DIA 108:
Há certas coisas que não podem ser ajustadas. Tem que acontecer de dentro para fora.
Rubem Alves

quinta-feira, 2 de julho de 2020

DIA 107:
O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos.
Lao-Tsé

quarta-feira, 1 de julho de 2020

DIA 106:
O segredo da educação é fazer
com que o aluno veja o bosque
e as árvores ao mesmo tempo.
Alfred N. Whitehead

terça-feira, 30 de junho de 2020

DIA 105:
 Que a vontade de ajudar o outro seja maior que qualquer forma de egoísmo.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

sábado, 27 de junho de 2020

DIA 102:
Ainda estamos com mais de mil mortes em 24h, mas as atividades comerciais não essenciais já abriu em boa parte das cidades brasileiras. Houve, inclusive aumento de casos de covid-19 em algumas delas. Em Belém do Pará não é diferente, a ocupação dos leitos de UTI começaram a aumentar, pois muitas pessoas já retornaram as suas rotinas de antes, embora com alguns cuidados como o uso de máscara e número controlado de pessoas em lojas e demais serviços.
Continua em trabalho remoto, pois as escolas ainda não retornaram, então estou ministrando minhas aulas pela internet. Acredito que ainda não devemos retornar ao sistema presencial...

sexta-feira, 26 de junho de 2020

DIA 101:
Sobre a Antropologia! ❤
A Antropologia é conhecida como a ciência da alteridade, porque tem como objetivo o estudo do Homem na sua plenitude e dos fenômenos que o envolvem. Com um objeto de estudo tão vasto e complexo, é imperativo poder estudar as diferenças entre várias culturas e etnias. Como a alteridade é o estudo das diferenças e o estudo do outro, ela assume um papel essencial na Antropologia. 
COMPREENSÃO - Diferente da  Sociologia é a área das ciências humanas que estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições a alteridade na perspectiva antropológica é ver o outro na perspectiva/olhar dele (como ele vê o mundo ), fazendo um esforço pessoal para compreendê-lo, não é renunciar sua cultura é entender a dele. Vai além da Filosofia em seu caráter ético, moral, pois esta ciência funda-se em fazer algo para o outro basta.
NECESSIDADE - Por isso há uma necessidade, pois a alteridade é se colocar no lugar do outro e mediante essa prática de modo humano atender a necessidade dele.
Logo a Antropologia como ciência da Alteridade atua de forma compreensiva e ativa, entendendo a complexidade e individualidade de cada cultura.
A alteridade é entender a identidade cultural do outro no ver dele político, cultural, religioso e linguístico não impor e nem renunciar a sua própria cultura mas, compreender a dele.
Alteridade e humanidade. PUC Goiás

quinta-feira, 25 de junho de 2020

DIA 100:
Hoje completa 100 dias desse Diário da Pandemia. O cenário continua desolador, com mais de mil mortes diárias. Caminhamos para um futuro incerto. Ainda que muitos queira retomar a vida normal, não temos certeza de nada. A vacina não foi descoberta. A pandemia continua em curva ascendente e adentra por novas regiões, vitimando sobretudo os mais vulneráveis...
Parafraseando Edgar Morin, "espero que a excepcional e mortífera epidemia que vivemos nos dê a consciência não apenas de que somos parte integrante da inacreditável aventura da humanidade, mas também que vivemos em um mundo ao mesmo tempo incerto e trágico".
E ainda, dialogando com Edgar Morin, compartilho do mesmo sentimento de que somos privilegiados, por vivenciar um confinamento (domiciliar), muito diferente do que aqueles vivenciados em determinados momentos históricos, de completa privação de liberdade, pois o fazemos em defesa da vida, no aconchego de nossos lares, com nossos familiares e entes queridos, nos comunicando e trabalhando por meio remoto. Concientes, porém, de que essa não é a realidade de todos, sobretudo num país como o nosso, com profundas desigualdades sociais.
Mas qual experiência ficará, quando tudo passar? Quais lições teremos aprendido? Seremos pessoas melhores? Viraremos a páginas e voltaremos a nossa vida medíocre? Quem seremos nós, no desconfinamento?

quarta-feira, 24 de junho de 2020

DIA 99:
"Senti que o tempo é apenas um fio. Nesse fio vão sendo enfiadas todas as experiências de beleza e de amor por que passamos. Aquilo que a memória amou fica eterno. Um pôr do sol, uma carta que recebemos de um amigo, os campos de capim-gordura brilhando ao sol nascente, o cheiro do jasmim, um único olhar de uma pessoa amada, a sopa borbulhante sobre o fogão de lenha, as árvores do outono, o banho da cachoeira, mãos que seguram, o abraço do filho: houve muitos momentos de tanta beleza em minha vida que eu disse: ‘Valeu a pena eu haver vivido toda a minha vida só para poder ter vivido esse momento. Há momentos efêmeros que justificam toda uma vida’." Rubem Alves, em “Do universo à jabuticaba”

terça-feira, 23 de junho de 2020

DIA 98:
🍂 "Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: ‘Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.’ Pare. Leia de novo e pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim." ✍️ Rubem Alves (1933-2014)

segunda-feira, 22 de junho de 2020

DIA 97:
E isso é o que me caracteriza, e o que me faz seguir vivendo: refazer as asas a cada amanhecer, plantar de novo o amor e acreditar na felicidade como as crianças acreditam em seus sonhos.
Carolina Salcides

domingo, 21 de junho de 2020

DIA 96:
🍂 “O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui... Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores? Torço para que sejam Ipês-amarelos..." 
 ✍️ Rubem Alves (1933-2014)

sábado, 20 de junho de 2020

DIA 95:
Hoje passamos da marca de um milhão de pessoas infectadas e 50 mil mortos pela covid-19. Não imaginei que chegaríamos até aqui, com um cenário de mais de 1.200 pessoas mortas em 24 horas. Há três meses, assistíamos assustados e comovidos com o quadro da epidemia avançando nos paises europeus. Quando Itália, Espanha, França começaram a ter seus hospitais lotados e uma média de mais de 300 mortes diárias, ficamos consternados... e não sabíamos o que estava a vir pela frente... quantas vidas seriam ceifadas... quantos amigos e parentes perderíamos...
Hoje, estamos enlutado, pois por trás de cada número de pessoas mortas, estão nossos familiares, amigos, colegas de trabalho... cada um tinha uma história, uma vida, sonhos que foram encerrados por essa doença. E mesmo quem não teve um parente ou colega vítima da doença, como não se importar? Como ser indiferente a dor do outro?
A pandemia mudou definitivamente nosso modo de vida, nossos dias, nossa forma de encarar a vida e a morte. Penso que a pandemia nos deixou mais cautelosos, menos egoistas, mais empáticos... nunca mais seremos os mesmos... seguiremos, uns com mais feridas para cicatrizar do que outros, mas com a certeza de que ainda existe humanidade dentro de nós e que podemos recorrer a ela para superar essa fase difícil de nossas vidas, que ficará para sempre gravada em nossas memórias e agora é parte de QUEM SOMOS e de nossa HISTÓRIA.

"A única coisa tão inevitável quanto a morte... é a VIDA." Charles Chaplin

sexta-feira, 19 de junho de 2020

DIA 94:
"Desistir? Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério.
É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais ESPERANÇA nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu CORAÇÃO do que medo na minha cabeça."
Cora Coralina

quinta-feira, 18 de junho de 2020

DIA 93:
"Até onde posso, vou deixando o melhor de mim. Se alguém não viu, foi porque não me sentiu com o CORAÇÃO".
Clarice Lispector

quarta-feira, 17 de junho de 2020

DIA 92:
O decreto de #isolamento em nosso estado "expirou", portanto, presume-se que a #quarentena termine em muitas partes, no entanto, nossa casa permanecerá #CLOSED (visitas não são permitidas!) até que a situação seja controlada para a #Covid19 ... porque as razões por trás disso são meramente econômicas, e não porque a #pandemia está controlada ...
Em casa, continuaremos a nos proteger. As medidas de isolamento continuarão em nosso lar, é um isolamento físico, voluntário, responsável e produtivo.
O número de pessoas com resultados positivos continua aumentando, consequentemente o número de mortes também. Sugiro não sair, se não precisarmos sair!
Assim, cuidaremos de outras pessoas além de nós. Eu me cuido por você, pelos seus, mas sobretudo pelos meus ...
Quero que essa pandemia seja controlada o mais rápido possível.
Se agirmos com bom senso e responsabilidade podemos tornar o mundo um lugar melhor para viver! 🙌🏻😃
Desejo poder abraçá-los(as) em breve... quando for REALMENTE SEGURO para todos(as)!!! 🤗
Enquanto esse momento não chega... um grande abraço virtual em todos(as)!
Obrigado por respeitar nossa decisão ❤️
🏠❤

terça-feira, 16 de junho de 2020

DIA 91:
Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.
Paulo Freire

segunda-feira, 15 de junho de 2020

DIA 9O:
Hoje fazem três meses desde que iniciei esse Diário da Quarentena. E para essa data resolvi escrever sobre "Para que serve a Antropologia e a Sociologia?". Sinto-me convidada a escrever sobre esse tema, pois recentemente o atual ministro da educação num dos seus pronunciamentos disse "Não quero sociólogo, antropólogo e filósofo com meu dinheiro [...]". Quando li a matéria, num ímpeto, logo pensei, também não quero político, sobretudo corrupto, com meu dinheiro! também não quero meu dinheiro [de impostos] sendo usado para dar privilégios a um grupo, "pendurado no governo", quando nossa sociedade apresenta um profundo abismo de desigualdades sociais.
Mas para que serve a Antropologia e a Sociologia?
Comecemos pela definição de ambas. Antropologia é a ciência que estuda o ser humano ou mais especificamente a ciência da cultura humana, ou ainda como a define Kroeber, é "a ciência dos grupos humanos, seu comportamento e suas produções. A Sociologia, por sua vez, numa definição macrossociológica, é a ciência que estuda a sociedade, ou ainda, a ciência que estuda os seres humanos e suas relações sociais. Gosto de dizer aos meus alunos, que são ciências irmãs, por suas interfaces no objeto e no método de investigação.
Quando a Sociologia despontou como ciência social, no século XIX, tinha por objetivo investigar o comportamento social humano, mas também encontrar soluções para os problemas sociais emergentes na época, o que posteriormente deu origem as Ciências Sociais Aplicadas. Dito isso, compreende-se que o papel da Sociologia vai para além da análise crítica da realidade social, cumprindo, hoje, um papel importante na produção de políticas sociais e de medidas mitigadoras de problemas sociais, como a pobreza, a fome, as desigualdades sociais, o racismo, o analfabetismo, dentre outros.
Porque é tão importante que nossos alunos trabalhem esses temas? Que obviamente são ensinados pela Sociologia na Educação Básica, por professores Licenciados nos Cursos de Ciências Sociais e ou Sociologia da Universidades. Para que antes de tudo atendam o previsto na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, Lei n° 9.394/1996 de formação de cidadãos críticos e atuantes na sociedade; segundo, se pegamos um tema como o das Desigualdades Sociais veremos que são construções humanas e não uma "realidade natural", então se foram construídas historicamente, podem ser revestidas, assim como o preconceito, o racismo e a intolerância.

domingo, 14 de junho de 2020

DIA 89:
"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar alguém que veja o mesmo mundo que o seu".
John Green

sábado, 13 de junho de 2020

DIA 88:
Quando não houver palavras capazes de expressar o que está sentindo o seu coração, entregue-se ao silêncio. Ele é acolhedor e diz muito mais do que qualquer palavra. RG

sexta-feira, 12 de junho de 2020

DIA 87:
E para hoje:

1 Coríntios 13

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 
12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é AMOR.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

DIA 85:
Não sabemos as consequências políticas, econômicas, nacionais e planetárias das restrições causadas pelos confinamentos. Não sabemos se devemos esperar o pior, o melhor ou ambos misturados: caminhamos na direção de novas incertezas - Edgar Morim.

terça-feira, 9 de junho de 2020

DIA 84:
É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, em um dado momento, a tua fala seja a tua prática.
Paulo Freire

segunda-feira, 8 de junho de 2020

DIA 83:
Só conseguimos ver bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 7 de junho de 2020

DIA 82:
"Só queremos o que é concedido naturalmente a todos os povos do mundo, sermos senhores do nosso próprio destino, apenas do nosso destino, não o dos outros, e termos cooperação e amizade com eles."
Golda Meir

sábado, 6 de junho de 2020

DIA 81:
Depois de mais de 80 dias e curva ascendente da covid-19, no país, o governo do estado do Pará publicou Decreto permitindo abertura dos shoppings e salões de beleza a partir da presente data. Como continuo em trabalho remoto, permaneço em isolamento, mas hoje precisei ir até a casa da minha mãe para ver como ela estava. Para minha surpresa, cheguei no estacionamento do meu prédio e vi somente a metade dos carros... nas ruas parecia um dia normal, como outro qualquer.
Acabou o lockdown e as pessoas parecem ter esquecido que ainda não temos uma vacina para o vírus e que até recentemente em nossa cidade não tinha leitos, nem respiradores para atender todos os pacientes de covid-19, sobretudo com insuficiência respiratória aguda grave. Quando os shoppings abriram se formaram aglomerações e filas enormes de assustar "aqueles que sentiram na pele" os efeitos da doença em sua forma grave, os que perderam seus entes queridos e a  equipe de saúde, na linha de frente de combate ao novo coronavírus.
Quem passou por essa experiência não consegue esquecer! E concerteza não foi para filas de shoppings...
Como memória, deixo o relato de uma profissional da saúde na linha de frente de combate à covid-19:

“Paciente internada conosco há alguns dias, sempre simpática e lutando contra o covid. Perdeu o marido semana passada, que também estava internado conosco. Nem pôde se despedir... Ontem o seu quadro piorou, estava muito cansada e ao ser comunicada que seria intubada, pediu ao médico: Não, doutor, por favor! Não faça isso! Eu sei que eu não voltarei. Nesse momento, agradeci por estar de máscara e face shield. Assim, ninguém pode ver as lágrimas que escorriam. Tive que sair, andar pelo corredor sem rumo, respirar e voltar. Penso que uma das piores coisas, deve ser ter consciência que em breve você poderá morrer e não poderá estar mais com quem ama. Como tenho medo disso. Retornei... O paciente ao lado chorava. Ela pediu o celular pra ligar pra filha. Ligou no viva voz. Do outro lado, a filha em desespero, rezando, pedindo a Deus com toda força pela vida mãe. Mais uma vez não aguentei... Pode ter sido o último “encontro” dessa mãe com essa filha, sem um abraço, sem o conforto de estar com quem ama. Demos a mão pra ela, rezei em silêncio, pedimos para confiar pq faríamos o melhor. Mais tarde... o paciente da mesma enfermaria, internado também já alguns dias, agravou. Estávamos ao lado dele, fazendo tudo que podíamos para estabilizar sua pressão. Ele ainda consciente, perguntou: Posso dormir? Estou com medo de dormir e não acordar. Respondi: Pode relaxar, estaremos aqui cuidando de você. Ele disse: eu sei que eu vou morrer essa noite! Realmente, ele sabia. Aquele que chorou pela paciente ao lado, agora fechou o olho para não ver o da frente. E com certeza estava pedindo a Deus para que não fosse o próximo. É inexplicável o que estamos vivendo. Jamais seremos os mesmos. Que vírus maldito!” 
Relato de uma profissional de saúde na linha de frente."

sexta-feira, 5 de junho de 2020

DIA 8O:
Quero "mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros" Cora Coralina.

Hoje comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente e realizamos um Encontro on line por meio do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental na Amazônia GEAMAZ-Ufpa, com o tema Educação Ambiental e Caminhos para Sustentabilidade em Tempos de Pandemia...

quinta-feira, 4 de junho de 2020

DIA 79:
Cresci ouvido as histórias sobre minha bizavó Francisca, que ainda pude conhecê-la quando era criança. Ela sempre contava como sua mãe veio da África, quando jovem, na condição de escrava... minha bizavó morreu com seus 90 anos... e muitas lições nos deixou... outras tive que aprender na pele, no dia a dia... o racismo não desapareceu com a abolição da escravatura, nem com os passar dos anos... o episódio que aconteceu com George Floyd, nos EUA, que mobilizou o mundo ou mesmo a morte de Miguel Otávio, de 5 anos, filho de uma empregada doméstica, que caiu do 9° andar, em Recife, são provas disso.
As últimas palavras de George Floyd foram "Não posso respirar!" as quais viralizaram na internet assim com a hastag #vidasnegrasimportam. E de repente o mundo se voltou para os EUA... quase por um segundo cheguei a pensar que tivessem esquecido as milhares de mortes pelo novo coronavírus. Mas como esquecer, se há todo instante chegam notícias de vítimas da doença. Só no presente dia foram 1.473 mortes pela covid-19, o maior número de vítimas fatais registrado pelo nosso país em 24 horas. E a doença chegou nas aldeias indígenas, causando um genocídio entre essas populações... os mais velhos estão morrendo (da doença) e com eles as tradições de sua etnia, de sua cultura... e quantos se importam com as vidas indígenas perdidas?
Sou descendente de negros (africanos), sou contra o racismo e qualquer forma de preconceito e intolerância, mas não posso me furtar a uma reflexão sobre esse novo cenário que se descortinou com a morte de George Floyd, pois muitos aderiram a essa bandeira mais por "modismo" do que por se importar realmente com "todas as vidas perdidas", e que não foram poucas, nem de pessoas negras ao longo de nossa história brasileira, nem para a atual pandemia. Sou a favor da defesa de todas as vidas (#todasasvidasimportam) e "que a dor do outro não nos seja indiferente". Pois enquanto a classe média e alta, está nas redes sociais, confinada em casa, prestado seu apoio a "causa antirracista", pessoas pobres e, muitas delas negras, estão ao lado, morrendo de fome e de covid-19. 😔
#todasasvidasimportam

quarta-feira, 3 de junho de 2020

DIA 78:
"Ninguém nasce odiando as pessoas pela cor da pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisa aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a AMAR."
Nelson Mandela
#vidasnegrasimportam

terça-feira, 2 de junho de 2020

DIA 77:
Quanto eu quis e deixei de querer,
Quanto eu fiz e deixei de fazer,
Quanto eu vi e fingi não ver...
Hoje sei que precisei de cada momento, cada lágrima, cada sorriso...
Cada queda, cada mão estendida, cada sim e cada não.
Hoje fica mais fácil enxergar que tudo o que vem, vem por motivos maiores, melhores, mais simples, mais fáceis, mais claros.
Hoje entendo que tropeços evitam quedas, lágrimas curam dores e perdas elevam, fortalecem.
Agora já é hora de viver em paz, na paz de dentro, do eu, do meu.
É tempo de fazer festa, provar o mel, tocar o céu.
De colher coisa boa.
Coisas lindas.
Coisas de amor.
Coisas que eu sei...

Juliana Nishiyama

segunda-feira, 1 de junho de 2020

DIA 76:
Por vezes é preciso silenciar e esperar. Falar somente com Deus, guardar as palavras dentro de nós pra que não sejam evasivas ou tolas. E acreditar que não importa a dor, não importa o vento. Tudo vai passar...
Sirlei Passolongo

domingo, 31 de maio de 2020

DIA 75:
"Quando você descobre para o que nasceu, tudo passa a fazer sentido." Gilberto Dimenstein

sábado, 30 de maio de 2020

DIA 74:
A vida é como jogar uma bola na parede:
Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul;
Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde;
Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca;
Se a bola for jogada com força, ela voltará com força.
Por isso, nunca "jogue uma bola na vida" de forma que você não esteja pronto a recebê-la.
A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.
Albert Einsten

Que diante dessa pandemia, saibamos e tenhamos consciência daquilo que estamos enviando para VIDA. Seu gesto pode afetar positiva ou negativamente a sua VIDA e, também, a de quem você ama.

#todasasvidasimportam

sexta-feira, 29 de maio de 2020

DIA 73:
Hoje perdemos Pe Bruno Sechi. São muitas perdas, todos os dias... e apesar de não estarmos em curva descrescente, no número de morte, alguns estados, dentre eles o Pará, já estuda reabrir o comércio, shopping, cinema, nas próximas semanas... 😔
#em luto
#todasasvidasimportam

quinta-feira, 28 de maio de 2020

DIA 72:
Deixe a VIDA fazer com você o que a primavera faz com as FLORES.
Pablo Neruda

quarta-feira, 27 de maio de 2020

terça-feira, 26 de maio de 2020

DIA 70:
"Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade". Cora Coralina

segunda-feira, 25 de maio de 2020

domingo, 24 de maio de 2020

DIA 68:
Hoje, o Povo Assurini perdeu Sakamiramé Assurini, cacique, um dos indígenas mais velhos da Terra Indígena Trocará. Sakamiramé foi mais uma vítima da covid-19, que avança letalmente sobre os indígenas espalhados por todo o território brasileiro e, na aldeia Trocará, já somam duas perdas, pois ontem, Ponakatu (Vanda) Assurini, também não resistiu e veio a ôbito, estando outros indígenas em estado grave, em Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Tucuruí/PA.
Conheci Sakamiramé em 2002, quando fui a primeira vez na Terra Indígena Trocará e recebo com muito pesar a notícia de sua partida e de Ponakatu. Poraké, esposo de Ponakatu também está com covid-19 e em estado grave na UPA de Tucuruí. Já existem vários casos suspeito na aldeia Trocará...
Infelizmente, temos assistido o descaso do governo em reconhecer e assistir os povos indígenas. Estes são muito mais vulneráveis do que a população não indígena por sua histórica relação (desigual) de contato; costumes de cada povo e; modos de viver em suas aldeias. Soma-se a isso, a necessidede de melhor assistência por parte da Secretaria de Assistência à Saúde Indígena (SESAI).
Sabemos, a partir de estudos recentes que se nada for feito, os povos indígenas serão dizimados e com eles, saberes ancestrais. Quando morre um indígena não é só mais uma pessoa que se vai... Para muitos povos, a perda de uma pessoa indígena representa a extinção de uma língua indígena, de saberes, tradições, cantos, que não mais serão transmitidos as novas gerações...
Então aqui, manifesto meu LUTO por todos os que partiram, pois TODAS AS VIDAS IMPORTAM.
🖤

sábado, 23 de maio de 2020

DIA 67:
"Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente / Que a morte não me encontre um dia / Solitário sem ter feito o que eu queria..."
(Mahatma Gandhi)
Vocais de Beth Carvalho e Mercedes Sosa.
#todasasvidasimportam

Com essa canção, lembro, hoje, que todas as vítimas da covid-19 tinham rostos, histórias, sonhos e memórias... muitos eram guardiões de suas tradições, de suas culturas, como Ponakaru Assurini (Vanda Assurini), esposa de Porakê Assurini, líder de seu povo (ainda internado e em estado grave), que nos deixou e agora habita outro plano... que possamos não ser indiferente a dor dos "outros", pois todas as vidas importam.

Eu Só Peço a Deus

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que queria

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus 
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver.

Canção de Beth Carvalho e Mercedes Sosa


sexta-feira, 22 de maio de 2020

DIA 66:
O ABRAÇO é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem que ser dito soletra-se no silêncio. ❤
#diadoabraço
#logovoltaremosanosabraçar

quinta-feira, 21 de maio de 2020

DIA 65:
Quais nossas prioridades de vida para os dias que virão? O que essa pandemia tem a nos ensinar? Sei que gastamos parte de nossas vidas preocupados em acumular, consumir, ter sucesso profissional, trabalhar para ter e dar segurança para nossas famílias... seguíamos nossas vidas, cronometradas pelo relógio... foram muitas horas não dormidas, encontros familiares e abraços que não aconteceram, porque não podíamos parar... mas de repente tudo parou...
Hoje, confinados, contamos os dias para que tudo isso passe... para que possamos sair as ruas, ABRAÇAR as pessoas, sorrir, não com os olhos, mas com os lábios, pintados com todas as cores da FELICIDADE. Saltar, correr, rodopiar, não ter que ficar um metro distante UM do OUTRO. Esbarrar propositalmente em alguém, só para sentir o calor humano, o peso e valor da interação social... 
Mas ainda vai demorar um pouco para que voltemos a nos abraçar, pelo menos em público e nos espaços públicos. Assim como, acredito, também, não iremos guardar tão cedo nossas máscaras faciais. protocolos do tipo: "mantenha um metro de distância" ainda deve fazer parte de nossa rotina por um bom tempo.
Já vivíamos uma sociabilidade acentuadamente marcada pelos contatos virtuais via redes sociais. Sempre falo sobre isso nas minhas aulas de Sociologia. Nosso sentimento de família estava lá... numa foto, numa postagem... mas com a pandemia, esse sentimento, que parecia tímido, e mais para desmonstrar um status harmonizado, encontrou o seu verdadeiro sentido.
Acredito que no mundo pós-pandemia teremos muito mais certeza sobre nossas prioridades. O cuidado com nossos familiares, as reuniões presenciais com nossos amigos e entes queridos terão muito mais peso e nossas ESCOLHAS, antes movidas, muitas vezes exclusivamente pela ambição, passarão pelo filtro das nossas emoções e afetos, pois teremos aprendido quão grande é o valor da VIDA.

Hoje foram registradas 1.188 mortes em 24 horas pelo novo coronavírus. Maior número de pessoas vitimadas em 24 horas desde o início da pandemia em nosso país. Por trás de cada pessoa, uma história, sonhos interrompidos...
#todasasvidasimportam

quarta-feira, 20 de maio de 2020

DIA 64:
Hoje fiquei pensando, será que estamos preparados para retomar nossas vidas? Foram muitos planos interrompidos, muitos sonhos deixados para trás, muitas vidas ceifadas, pessoas que nunca mais veremos... quando vimos já estávamos mergulhados nesse caos que se tornou nossos dias, tendo que adotar novos comportamentos, hábitos, protocolos, dentre eles, a quarentena, o isolamento e, por fim o "lockdown"...
Penso que o ano de 2020 infelizmente mal começou e já acabou. Dificilmente, conseguiremos recuperar o ano letivo, seja para Educação Básica, seja para o Ensino Superior. E mesmo que as crianças e jovens retornem às escolas, no segundo semestre, não temos garantia de nada... enquanto não houver uma vacina, o medo de uma segunda onda do novo coronavírus sempre estará a nossa sombra... poderemos até estar juntos novamente, mas isso nos manterá "distantes" por muito tempo...
O fato é que quando a pandemia passar (e se /e quando passar), não seremos mais os mesmos. Carregaremos conosco tudo o que vivemos nesse período em que estivemos isolados, reclusos, exilados, ou "em estado de protocolo" para os que tiveram que ficar no front da pandemia.
Para muitos terá sido um período traumático, de penúria, de dor, de sentimento de impotência... não podemos esquecer que milhões de pessoas poderão sobreviver a covid-19, mas continuarão padecendo dos problemas de antes da crise sanitária, como o desemprego, a fome, a miséria, que, num mundo pós pandemia estará muito mais acentuado.
São muitos desafios a serem enfrentados. Mas por hora, temos que fazer a "travessia", e para isso precisamos cuidar da nossa saúde de maneira integral. E nesse aspecto, não basta que estejamos bem fisicamente, precisamos está e ficar bem, mentalmente e espiritualmente. Então que cada UM possa se reconciliar consigo mesmo, para que cuidando de si, possamos, também, cuidar de TODOS! E possamos fazer isso: uns pelos outros!

terça-feira, 19 de maio de 2020

DIA 63:
Hoje, quando o Brasil atingiu mais de mil mortes em 24 horas (1.179), mais um de nossa família se despediu desse plano, vítima da covid-19. Era jovem, muito querido... deixou sua esposa, familiares, amigos... e uma vida cheia de planos...

O coração permanece em luto. 😔

Deixo-vos com essa reflexão, postada em homenagem ao Charles+, que tantas alegrias proporcionou, em vida, aos seus entes queridos...

Somos de vidro, também de pedra, água e areia...
Viajantes do tempo.
O remetente e o destinatário.
Tudo que jogamos contra o vento vem ao nosso encontro.
Somos o próprio reflexo que vemos no espelho e além dele.
Somos a vida e a morte.
O tudo e também o nada.
Somos idealizadores, sonhadores, propagadores.
Feitos de inocência num mundo de regras.
Maldosos ou bondosos - no tempo exato...
Ora oferecemos riscos, ora somos a mais perfeita das ternuras.
O ponto de encontro está em cada um de nós.
Encontrar-se é o desafio.
Entender-se sagrado é o caminho.
Enxergar "além de", é o que falta.
Permitir-se acolher o irmão e entender que ele é tão frágil e tão forte como nós é a meta.
Que ninguém é melhor do que ninguém. No final das contas somos pó...
Nem sempre intactos.
Nem sempre puros...
O importante é buscar, olhar para dentro de si e observar que o mundo é benção, que somos filhos da Graça - temos a divindade dentro de nós...
"Sejamos gratos às pessoas que nos proporcionam felicidade, são elas os adoráveis jardineiros que nos fazem florir a alma."
(São Tomás de Aquino)

segunda-feira, 18 de maio de 2020

DIA 62:
Que possamos ter leveza na alma... e não desistir de nossos sonhos. ❤

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo".
Fernando Pessoa

domingo, 17 de maio de 2020

DIA 61:
"Dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários".
C. S. Lewis

sábado, 16 de maio de 2020

DIA 60:
Hoje completam sessenta dias, desde que iniciei esse Diário. São praticamente dois meses em que estamos em quarentena e resolvi falar um pouco sobre os motivos que me levaram a escrever esse Diário da Quarentena, sobretudo, para o leitor que somente tomou conhecimento de sua existência, com a publicação do vídeo "Diário de uma Antropóloga em Tempos de Pandemia", no Canal Diálogos Online, do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), da Universidade Federal do Pará (UFPA), do qual sou integrante.
Primeiramente, esclareço que o "diário de campo" é um instrumento de investigação utilizado pelos antropólogos para fazer Etnografia. A prática do diário se tornou amplamente conhecida a partir dos estudos de Bronislaw Malinowski que realizou fieldwork (trabalho de campo) entre os trobiandeses, na Melanésia e resultou numa das mais conhecidas etnografias clássicas, no âmbito da Antropologia Cultural: Os Argonautas do Pacífico Ocidental. Nesse livro, ele dedica um capítulo para falar do objeto e do método utilizado em sua pesquisa, onde aparece as recomendações do "diário de campo". Este foi incorporado como ferramenta de pesquisa, do antropólogo, ainda que, depois de Malinowski tenham surgido outras correntes teóricas antropológicas, que refutaram suas premissas funcionalistas, permanecendo até os dias atuais.
No início da quarentena, em Belém do Pará, decidi escrever esse Diário, pois foi a maneira que escolhi enfrentar a pandemia do novo coronavírus, SARS CoV-2. Por meio dele, venho colocando o papel das Ciências Sociais, em especial da Antropologia, no enfrentamento dessa doença. O Diário está escrito numa linguagem intimista e apresenta o meu ponto de vista sobre a pandemia, como enxergo seus impactos sociais, maneiras em que podemos ajudar as pessoas a atravessar esse tempo, que como tenho descrito, não está sendo fácil, mas juntos, ainda que fisicamente distantes, conseguiremos atravessar, pois estamos socialmente conectados.
Tenho relatado, também, como eu tenho ajudado as pessoas, com pequenas ações e atitudes, que acredito "se cada um fizer um pouco, logo estaremos fazendo muito". Essas ações envolvem desde ajuda material, como já escrevi sobre a doação de máscaras faciais (face shields) e cestas básicas a um pedido de oração para uma pessoa (ou várias) que estão em leito de UTI. Confesso que, já ajudei de tantas maneiras diferentes, que não me permiti, aqui registrar e preferi deixar guardado no meu ❤.
Espero que esse Diário, de alguma maneira, ajude, você leitor, a OLHAR o mundo com olhos diferentes, como um antropólogo quando chega numa "sociedade desconhecida", mas que ao OLHAR, você se incline para fazer a DIFERENÇA, pois essa VIDA é uma experiência ÚNICA. Então, que o nosso LEGADO seja o MELHOR que pudermos deixar de nós mesmos.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

DIA 59:
Hoje fique pensando na (in)sustentável leveza do ser. Uso esses termos parafraseando Milan Kundera, escritor theco, do romance "A insustentável leveza do ser", publicado em 1982 e traduzido para mais de 30 línguas e editado em vários países. O romance é protagonizado por Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Cada um deles experimenta, de maneira peculiar,  o peso insustentável que baliza a vida, um permanente exercício de reconhecer a opressão e tentar amenizá-la.
Li esse romance quando era bem jovem, mas diante dos acontecimentos que se impõem a nossas vidas no momento presente, não pude deixar de fazer essa associação. O momento histórico do livro é o período da guerra fria e o cenário é Praga, no centro da Europa, especificamente 1968, quando acontece a "Primavera de Praga". O autor se ampara em filósofos como Nietzsche e Parmênides para inserir reflexões sobre o que é "ser um espírito livre".  Nosso cenário? O Brasil. Os protagonistas? Todos nós! O enredo? Em construção...
Quem conhece o romance, sabe que ele foi escrito no exílio por Milan Kundera e que possui fortes críticas ao regime comunista. E antes que me perguntem, adianto, o que sempre esclareço em minhas aulas de Sociologia: sou contra qualquer regime político totalitário, seja ele de direita ou de esquerda, como já coloquei em outras postagens, nesse Diário. Portanto, o questionamento presente no romance: "um imbecil sentado no trono está isento de toda responsabilidade pelo simples fato se ser um imbecil?" bem pode ser aplicado a quem está, hoje, posto no cargo mais elevado de nosso país.
O que me chama atenção no romance é a reflexão filosófica sobre o ser o humano, sobre o que é "leve" e "pesado" nos nossos nossos relacionamentos; o que faz da nossa rotina algo leve ou insustentável; como nos apoiamos nos outros; quem somos e nos comportamos quando estamos sozinhos, com medo; como podemos enxergar e enfrentar a vida de modos diferentes, diante das adversidade; ou ainda, como resistir e não desistir a cada tempestade.
E trazendo a discussão para os aspectos do "positivo" e "negativo", "leve" e "pesado" (Parmênides), meu grupo de whats up de condomínio, que no início da pandemia muito ajudou, sobretudo quando apareceram os primeiros casos de covid-19 por aqui, agora mais parece uma arena com "gladiadores" em combate, uns contra os outros. O motivo: quem é contra ou a favor do lockdown; quem apoia ou não apoia as decisões do presidente; quem é a favor ou contra o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19... subscrito há uma enquete: quem é a favor da vida e quem é a favor da economia. As discussões tem se tornado "insustentáveis"... e como sabemos, esses desentendimentos virtuais saltam para o campo concreto do  "face to face", colocando-nos mais um problema, da ordem dos interpessoais, para se juntar aos da crise sanitária em que estamos vivendo.
Outra coisa que me chama atenção é sobre o "eterno retorno" (Nietzsche) que podemos associar com a repetição, hoje, do que vivemos no passado com a gripe espanhola. Conhecida também como gripe de 1918, surgiu com uma vasta e mortal pandemia do virus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920 infectou 500 milhões de pessoas, um quarto da população mundial e é tida como uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. No Brasil, foram cerca de 350 mil pessoas infectadas. Naquela época, também se minimizou os efeitos e gravidade da doença; que a moléstia teria sido uma criação dos alemães; houve pouco investimento em pesquisas para encontrar a vacina; houve ataque e censura à imprensa e; perda de tempo procurando culpados, em detrimento de união para se salvar vidas.
Parece que estamos condenados a repetir os erros do passado... enquanto o ser humano insiste colocar sua vida (e de outros) na "balança" para, então, tomar suas decisões... 😔

quinta-feira, 14 de maio de 2020

DIA 58:

Depois de ultrapassar mil mortos (1.022) o governo do Pará decretou três dias de luto oficial em nosso estado. E nessa mesma noite recebi a notícia de mais uma morte, dessa vez, na família do meu esposo. No Brasil, só nas últimas 24 horas foram 844 mortes pela doença.
Meu coração permanece enlutado. Tenho buscado minha saúde física, calma para minha mente e paz para meu espírito, o que só a ORAÇÃO tem me proporcionado! Como nos disse Pitágoras "a melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçar é se aproximar de DEUS".
Nesses dias, tenho recebido apoio e carinho de meus amigos e familiares. Temos orados juntos, pela "cura da humanidade". Sei que essa, também, é uma maneira de ajudarmos as pessoas. Muitos estão nos leitos de hospitais, em UTI, à espera de milagres. E eles têm acontecido. Eu creio! Pois "para Deus nada é impossível" (Lc 1,37).
Isabelle hoje me perguntou qual era o meu "super poder", já que para ela sou uma heroína, na verdade, uma "fada", pois diz que ajudo as pessoas. E ainda disse: é por isso que as pessoas te chamam "fada madrinha" (apelido que ganhei dos meus sobrinhos afilhados)?
Foi então que resolvi explicar para ela de maneira diferente: "sou um anjo, sem asa, que Deus colocou na terra, para ajudar as pessoas, e nada esperar em troca, pois é isso que os anjos fazem! Quem ensinou isso: Jesus Cristo! Foi ele que nos disse que devemos amar uns aos outros, como o Senhor nos amou".
Sei que muitas pessoas são atéias, outras cristãs, outras islamistas e respeito cada uma. Escolhi continuar na Religião, que me foi transmitida pelos meus pais. É o que me faz bem! Então, procuro transmitir a FÉ para minha filha. Sei que a prática da intolerância religiosa é real e está presente entre nós. Como antropóloga, incentivo seguir o caminho da compreensão das várias religiões do mundo, pois o conhecimento proporciona o RESPEITO e AMOR pela DIFERENÇA. ❤

quarta-feira, 13 de maio de 2020

DIA 57:
13 de maio, dia da abolição da escravatura. Não há nada para se comemorar! O próprio movimento negro não comemora a data, por uma razão muito simples: o tratamento dispensado aos ex-escravos no Brasil. Como bem explicou Florestan Fernandes, sociólogo, em sua a obra "A integração do negro na sociedade de classes", em 1964, após a abolição da escravidão, os negros (ex-escravos) não foram absorvidos no novo formato de trabalho, nem se criaram políticas de inclusão na sociedade, então, reorganizada.
Os ex-escravos sobreviveram em condições de extrema desigualdade e práticas de racismo que perduram até os dias atuais. O racismo é uma das formas mais cruéis de intolerância estabelecidas ao longo da história da humanidade. Tem por base a negação do "outro" e da possibilidade de coexistência entre diferentes.

terça-feira, 12 de maio de 2020

DIA 56:
Hoje o Brasil bateu novo número de mortes em 24 horas: foram 881 pessoas perdidas para a covid-19. São dias nebulosos e de muita tristeza. Meu coração permanece em luto.
#todasasvidasimportam

segunda-feira, 11 de maio de 2020

DIA 55:
Em luto pelo meu avô, por aqueles que também perderam seus familiares e pelas vítimas da covid-19 do mundo inteiro.
#todasasvidasimportam

domingo, 10 de maio de 2020

DIA 54:
Infelizmente, hoje, perdi meu avô para covid... ele tinha 91 anos, estava com a saúde bem fragilizada... quando se descobriu a doença, seu pulmão já estava todo comprometido... chegou a ser internado, mas não resistiu... minha mãe ficou muito abalada... não teve velório... não teve despedida... não pudemos enterrar meu avô... ficou um profundo vazio, que jamais será preenchido... 
Hoje, dia das mães, não ia sair de casa, pois estou cumprindo o isolamento, mas diante do estado da minha mãe, fui até sua casa... não pude abraçá-la... para lhe confortar nesse momento tão triste... fiquei de longe, com máscara, só pude dizer algumas palavras... porque nesse momento, de dor, a gente não consegue falar quase nada!
Era para ser um dia alegre, mesmo distantes fisicamentes, estamos conectados, todos os dias. Gravei um vídeo para enviar para ela assim que eu acordasse... mas muito cedo acordei com o telefone tocando: era ela... dando uma notícia que ninguém quer receber! Sobretudo nesses tempos de pandemia.
Penso que estamos suscetíveis a passar por isso, diante desse momento difícil que estamos vivendo... então precisamos nós cuidar e cuidar de quem nós amamos! E mais, precisamos aprender a cuidar do "outro", mesmo que ele seja um desconhecido... é assim, que acredito, que sairemos pessoas melhores dessa pandemia.
Sigo ajudando as pessoas! Quando tudo isso passar quero está viva, mas também quero ter a certeza em meu ❤️ que fiz alguma coisa boa (ou várias) para ajudar no enfrentamento dessa pandemia.

sábado, 9 de maio de 2020

DIA 53:
Em oração pela cura da humanidade.
"Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações. (Sl 97, 1s)
V Domingo da Páscoa
#Elevive

sexta-feira, 8 de maio de 2020

DIA 52:
Nesse quinquagésimo segundo dia em que estamos de quarentena, no nosso Estado, assistimoss incrédulos os números de mortes diárias por covid-19 dispararem. Hoje com mais de 750 mortes, em 24 horas, confirmadas pelo novo coronavírus, o Brasil se torna novo epicentro da epidemia, ficando atrás, somente dos Estados Unidos, em número de mortes diárias.
Um misto de dor e angústia tem tomado conta de nós brasileiros. Não tem como descrever a situação vivida sem nos emocionar, pois passamos a ter uma relação muita próxima com a morte... são parentes, amigos, colegas de trabalho... que estamos perdendo para essa doença...
E parece que estamos longe do fim... muitos não conseguirão realizar a travesia... o governo de nosso estado decretou lockdown, na tentativa de diminuir a curva do contágio, que como já postei anteriormente é muito maior do que o previsto pelas estatísticas oficiais de nosso país.
O sistema de saúde entrou em colapso, mortos estão sendo enterrados em valas comuns, sem velório, sem despedida dos familiares... São cenas de horror, que há poucos meses assistíamos na europa estarrecidos, mas hoje o episódio se repete diante de nossos olhos...
Fico me questionando: como estaremos depois dessa pandemia? Poderemos ainda está vivos, mas uma parte de nós também terá ficado para trás... nosso coração haverá de está triste, saudoso, pelas pessoas que perdemos, por aquilo que não vivemos... pelo que a doença nos tirou...
Minha esperança é que possamos nos tornar pessoas melhores e mais humanas com tudo isso... lembro-me da fala do meu professor orientador de graduação e mestrado, Dr. Samuel Sá. Quando ele perdeu sua esposa, nos relatou que mesmo diante da morte de sua querida Elisa Sá, procurou tirar um aprendizado...
Que nós possamos nos reinventar e nos reencontrar com uma versão bem melhor de nós mesmos, num futuro bem breve! S2

quinta-feira, 7 de maio de 2020

quarta-feira, 6 de maio de 2020

DIA 50:
"Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida, já é a própria vida".
Milan Kundera

terça-feira, 5 de maio de 2020

DIA 49:
Hoje fechamos o dia com a notícia de assinatura de Decreto de Lockdown, em nosso estado. A medida vem em resposta ao número crescente de mortes no país e no estado do Pará. Só hoje, o Brasil registrou 606 mortes nas últimas 24 horas.
Com esse alto número de óbitos pelo novo coronavírus, no Brasil, quase não paramos para olhar para nosso vizinho americano, o EUA, que nas últimas 24 horas teve 2.333 novas mortes por covid-19.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

DIA 48:
"Tem dias em que a gente precisa ser só da gente, se desconectar do mundo, entrar em uma frequência individual e organizar a bagunça interior!
E sabe de uma coisa? Está tudo bem!"
(@vaisozinha)

domingo, 3 de maio de 2020

DIA 47:
Enquanto alguns países começaram anunciar o fim do contágio comunitário e o retorno gradual de suas atividades, a exemplo da Nova Zelândia, por aqui, o número de casos só aumenta. Já são mais de 100 mil casos testados positivos e 7.025 mortes confirmadas pelo novo coronavírus.
Sabemos que muitos casos nem sequer entraram para as estatísticas do Ministério da Saúde, que recentemente divulgou mais de mil mortes em investigação por suspeita de covid-19. Muitas pessoas com sintomas leves estão em casa se cuidando e outras morreram em casa, sem conseguir atendimento médico, nem teste para diagnosticar a doença. Infelizmente, essa é a triste realidade de nosso país que, atualmente, além da crise sanitária, enfrenta séria crise política, com reflexos imediatos na esfera econômica e social.
Em nosso estado, o governo vem aplicando medidas mais severas de isolamento e promovendo políticas sociais para socorrer a população mais vunerável econômica e socialmente. Estuda, inclusive, a possibilidade de instituir lock down, enquanto não se afasta o "pico" da doença. Só na data de ontem, o país registrou mais de 400 mortes em 24 horas, por covid-19, sendo 10 no estado do Pará (que já acumula quase 300 mortes pela doença).
E eis que a covid-19, também, bateu a nossa porta. O pai da Isabelle, que trabalha na área da saúde, manifestou os sintomas e está em casa, em isolamento...

sábado, 2 de maio de 2020

DIA 46:
"A vida não pode ser medida por batidas do coração ou ondas elétricas. Como um instrumento musical, a vida só vale a pena ser vivida enquanto o corpo for capaz de produzir música, ainda que seja a de um simples sorriso".
Rubem Alves
DIA 45:
Ainda pelo Dia do Trabalho, 01 de maio de 2020...
Minha menina não estava se sentindo bem, então dei medicamento para dor e ela adormeceu no meu colo, depois eu adormeci em seguida...
Então escrevo as memórias desse dia, que havia decidido iniciar com o poema de Pablo Neruda:
*A minhas obrigações*
_Pablo Neruda_
Cumprindo com meu ofício pedra com pedra, pena com pena, passa o inverno e deixa lugares abandonados, habitações mortas: eu trabalho e trabalho, devo substituir tantos esquecimentos encher de pão as trevas, fundar outra vez a esperança. Para mim apenas a poeira, a chuva cruel da estação, não me reservo nada a não ser todo o espaço e nele trabalhar, trabalhar, manifestar a primavera. A todos tenho que dar algo cada semana, cada dia, um presente que seja azul, uma pétala fria do bosque, e já de manhã estou vivo enquanto os outros se submergem na preguiça, no amor, eu estou limpando meu sino, meu coração, minhas ferramentas. Tenho orvalho para todos.
A minhas obrigações_, poema de Pablo Neruda (in Neruda, Pablo. Antologia Poética. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: 1964, p. 145-146).

Foi a maneira que encontrei, para saudar todos os trabalhadores, em especial a equipe de saúde, que tem sido incansável, no combate à covid-19, muitas vezes abdicando de está com seus familiares, tirando do seu bolso para comprar epi e "cumprir suas obrigações" como médicos, enfermeiros, maqueiros, entre outros, que estão na linha de frente no enfrentamento da pandemia.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

DIA 44:
Hoje finda o mês de ABRIL... Mês que gosto muito, mês do meu aniversário. Então é sempre muio especial, todos os anos, quando inicia esse  mês, me preparar para entrar em uma nova primavera... Mas esse ano foi diferente, por conta do contexto em que estamos vivendo... O mês abriu e fechou e quase não me dou conta que fiquei um pouco mais velha...
Olhando pelas minhas redes sociais, encontrei esse texto que trata de ABRIL:

"Hoje 30/04/2020. Findando Abril. Um ABRIL, Que não abriu.... Um ABRIL que tudo fechou... portas comércios, estradas, fronteiras, economia, o esporte. Um ABRIL que a natureza se abriu aliviada... Um ABRIL que se diferenciou... Um ABRIL, que estremecemos e em seguida decepcionamos com ídolos criados. Um ABRIL que abriu as portas da ganância pelo poder em detrimento da necessidade do povo. Onde a imoralidade política se escancarou. Um ABRIL que lives se abriram para o show ser em sua casa. Um ABRIL que a igreja não abriu, mas incontáveis igrejas se abriram em casa que se tornaram verdadeiramente um lar. Um ABRIL que a escola não abriu, e os pais puderam conhecer seus filhos e filhos resgataram os pais. Um ABRIL que os mais velhos se fecharam em casa mas tiveram oportunidade de contar histórias pelo celular... Um ABRIL que se pensarmos... ABRIU as portas... escancarou escandalosamente as portas do coração, da solidariedade da caridade,  da paciência, da resiliência da oração e da Fé.  Um ABRIL que abriu nossa alma e a coloriu de uma única certeza... A certeza da incerteza. Que tudo... passa... Menos o que verdadeiramente somos. Que nossa essência é... SER HUMANO. Então... caminhemos... QUE ABRAM-SE AS PORTAS DE MAIO... 
(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 29 de abril de 2020

DIA 43:
Hoje recebi essa postagem nas minhas redes sociais:
Por Roberto Almeida: " Você vai se lembrar dessa época como um momento de caos, medo do futuro, briga política, epidemia mundial, problemas na saúde e na economia. Mas as crianças só vão lembrar de você em casa, das refeições em família, dos banhos demorados, das massagens, das historinhas, dos shows que vocês fizeram na sala, de cozinhar com você, de brincar de cabaninha, dos filmes que assistiram juntos. Vocês estão em casa salvando o mundo, construindo memórias afetivas e o futuro da próxima geração".
Fiquei refletindo, com esse texto, sobre esse período, que já somam mais de 40 dias, só eu e minha menina, isoladas em nosso apartamento. Eu com uma rotina de cerca de 8 horas de trabalho, boa parte dele, na frente do computador, dando aula, participando de reuniões de trabalho e, minha menina, estudando em casa, com as atividades sendo enviadas diariamente pela escola.
Há quase duas semanas, ela começou apresentar um quadro viral e não conseguiu mais acompanhar as atividades da escola. Então, o tempo que tenho livre procuro ficar com ela. Ela é uma criança cheia de vida e, mesmo não estando boa de saúde, é muito elétrica e brincalhona. Recentemente, inventou que quer ser youtuber, então fica gravando uns pequenos videos no seu tablet e eu tenho que participar... além se ser a crítica do vídeo.
Outra coisa que me chamou atenção no texto de Roberto Almeida foi ficar em casa "salvando o mundo". Ouvir isso de uma vizinha, que está internada no hospital, com crise respiratória aguda grave. Seu esposo contraiu covid-19 e depois ela. O quadro dela evoluiu e ela teve que ser internada. O esposo, ao entrar em contato com a equipe de médicos do hospital viu que eles estavam sem equipamentos de proteção. Foi então, que decidiu fazer uma campanha para consegui arrecadar dinheiro e comprar máscaras para doar à equipe médica desse hospital. Foi assim, que fiz a minha doação para aquisição de "máscaras" (face shields) e recebi um áudio de agradecimento da própria moça que está internada... Quando disse que gostaria de fazer mais para ajudar, mas relatei minha atual situação com minha filha, ela disse: "vocês estão em casa salvando o mundo!"

terça-feira, 28 de abril de 2020

segunda-feira, 27 de abril de 2020

DIA 41:
Como as Ciências Sociais tem contribuído no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus? Pesquisando sobre isso, hoje encontrei um artigo sobre as contribuições das Ciências Humanas, dentre elas a Psicologia, a Economia, a Sociologia, a Antropologia no enfrentamento de epidemias como o Ebola, em que se destaca que essas (epidemias) são tanto fenômenos biológicos, quanto sociais.
Sempre coloquei, que nós (cientistas sociais) não estamos na linha de frente de combate da covid-19, como médicos e outros profissionais da área da saúde ou que prestam serviços essenciais, nesses tempos em que estamos em quarentena, mas que temos muito a contribuir, a partir do nosso lugar de fala, com análise de cenários políticos e econômicos, análise dos impactos sociais da pandemia, na orientação de medidas de distanciamento e isolamento, na projeção de políticas sociais em favor dos grupos em situação de vulnerabilidade social e econômica, dentre outros.
Como nos dizia Aristóteles "o homem nasce para viver em sociedade", e como ser social e político precisa pactuar regras para uma convivência harmoniosa em sociedade. E na atual situação em que estamos vivendo, de pandemia, as pessoas precisam compreender a magnitude e a necessidade das medidas de isolamento, distanciamento e quarentena como alternativas efetivas de redução do contágio do novo coronavírus. De maneira que, somente a medicina não é suficiente para impedir que a doença se espalhe.
É assim que, além do papel que vislumbro para a Sociologia e a Antropologia no enfrentamento da covid-19, lidamos, no dia a dia, com a mudança de hábitos, de atitudes, com adoção de novos valores e comportamentos. A própria pandemia nos impôs um novo estilo de vida, que mesmo quando a doença estiver controlada, não voltaremos a ser os mesmos em muitos de nossos hábitos e comportamentos. E por mais que não sejamos mais os mesmos, a Antropologia e a Sociologia, assim como as demais Ciências Humanas, estarão aí, operando análise da "humanidade" pós pandemia.

domingo, 26 de abril de 2020

DIA 40:
Hoje fazem quarenta dias, desde que iniciei esse diário. Marca também a data que iniciamos a quarentena em Belém do Pará, cidade onde trabalho e resido com minha família. Quarentena se refere à restrição de atividades ou separação de pessoas que foram presumivelmente expostas a uma doença contagiosa (no nosso caso a covid-19), mas que não estão doentes (porque não foram infectadas ou porque estão no período de incubação).
Quando decidi escrever esse "Diário da Quarentena", pensei em primeiro lugar, num blog em que eu pudesse ajudar as pessoas, mostrando pequenas atitudes, novos valores, vivências diárias, meu ponto de vista, como antropóloga e socióloga, sobre os impactos sociais da pandemia e levar um pouco de paz e esperança, nesses tempos tão difíceis em que estamos vivendo.
E eis que chegamos até aqui... um dia que nós reserva notícias tristes, pois o sistema de saúde entrou em colapso, em várias cidades brasileiras (e esse é nosso caso, em Belém/PA). Muitas pessoas estão falecendo em casa, na frente dos hospitais e upas, sem conseguir atendimento médico. E a realidade, que assistimos assombrados pela mídia televisiva e pela internet, de outros países, agora se faz presente entre nós.
Só hoje, no Brasil, foram confirmados 189 mortes e mais 3.379 novos casos de covid-19, elevando para 68.888 o número de casos confirmados no país, dados que se acredita, estejam subnotificados, pois a taxa de testagem ainda é muito baixa em nosso país e muitas pessoas estão com os sintomas da doença e se tratando em casa, sem que tenham feito o exame para confirmação da doença.  No mundo, já se ultrapassou a marca de três milhões de pessoas infectadas, com mais de 200 mil mortes pelo novo coronavírus.
Hoje, perguntei-me, se Zygmunt Bauman (Sociólogo Polonês) estivesse vivo, como ele analisaria esse tempo em que estamos vivendo? E dele a frase: "Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixos?" Esse extrato me veio logo a mente, pois estamos confinados, e é neste momento, que precisamos tanto do apoio de nossos familiares e amigos. E sempre penso nos meus amigos que estão em isolamento/distanciamento, sozinhos, que não tem com quem conversar, dividir os amores e as dores desse tempo de pandemia...
E para finalizar, vos deixo com a própria fala de Z.B., cujo pensamento está mais vivo do que nunca e seu legado continua pertinente à análise do momento presente. 
"Tento juntar palavras para dizer às pessoas
quais são os problemas, de onde eles vêm,
onde se escondem, como encontrar ajuda
para resolvê-los se for possível. Mas são
palavras. E não nego que são poderosas,
porque a nossa realidade, o que nós
pensamos que é o mundo, esta sala, nossa
vida, nossas lembranças são palavras."
Zygmunt Bauman

sábado, 25 de abril de 2020

DIA 39:
E hoje foi dia de lançamento do Canal Diálogos Online, do Grupo de Pesquisa sobre Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), da Universidade Federal do Pará. O Canal propõe apresentar uma Série de vídeos, com reflexões, pontos de vista científicos e experiências pessoais, no âmbito do Projeto "Saúde integral e sustentabilidade em tempos de pandemia: distantes fisicamente, mas conectados socialmente".
E como me fez bem me envolver com esse novo projeto! É claro que dá trabalho fazer um Canal, elaborar o projeto, fazer roteiros de vídeos, editar... cuidar de tantos outros detalhes que a gente nem sabia que que era necessário... E esses dias, entre as aulas remotas, reuniões de trabalho por meio de vídeo conferência, me desdobrei, junto com a Sandra Freitas, a cuidar de cada detalhe para que hoje a gente pudesse colocar o "canal no ar".
Esses dias serviram também para fortalecer a amizade, com pessoas tão queridas, mas que se não fosse o Projeto do Canal, talvez não estivéssemos tão conectadas (nesse tempo de pandemia). Sandra e Ludetana são duas pessoas que entraram na minha vida há 20 anos. E mesmo tendo passado um período longe das duas por conta dos rumos profissionais que tomamos, são amigas verdadeiras e de "uma vida inteira".
A experiência de produzir os vídeos para esse primeiro momento me proporcionaram momentos prazeirosos, que eu nem sabia que era possível. Logo eu, que sempre criei resistência para ser filmada. É quase um contrasenso para uma pessoa apaixonada por fotografia, como eu, não gostar de filmagem (sobretudo ser filmada). Mas, ao aceitar o desafio, ganhei de brinde momentos de pura diversão e sorrisos, o que deixaram meus dias mais leves, mesmo com notícias tão ruins sendo anunciadas pela mídia a todo instante.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

DIA 38:
Com 52.995 casos confirmados do novo coronavirus e 3.670 mortes, nosso país, na contramão do que vem fazendo o restante do mundo, estuda reabrir o comércio. E ainda nem atingimos o pico da doença. Por aqui parece não causar espanto o fato da covid-19 já ter ceifado 196 mil vidas ao redor do mundo em cerca de 4 meses.
E eis que hoje, por um dia, se esqueceu das tristes notícias de avanços do novo coronavírus, de apelos de médicos e enfermeiros pela falta de epi nos hospitais e pronto socorros, de pessoas morrendo na frente de hospitais, para se anunciar mais uma baixa no governo de Jair Bolsonaro, com a demissão do (agora ex) Ministro da Justiça Sérgio Moro.
Seguimos para o que chamei de "início do fim". Com a saída de Sérgio Moro, até os simpatizantes desse governo ficaram atônitos, não querendo crer que isso estava acontecendo. Mas como diz o ditado, numa versão reeditada por Ismael Torquatto "o pior cego não é aquele que não quer enxergar. É aquele que não que ter olhos. A verdade é uma paisagem muito feia para os orgulhosos".
Enquanto o país mergulha numa crise sem precedentes na história, o palco das disputas políticas (partidárias) continua desviando atenção daquilo que é mais importante. E pelo visto, aprenderemos pela dor, com a perda daqueles que realmente importam para nós. E, infelizmente, não teremos uma segunda chance, pois ainda não inventaram uma vacina para covid-19, quanto dirá uma fórmula para ressuscitar os mortos.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

DIA 37:
Hoje a live foi com o Prof. Gaudêncio Frigotto. Lembro-me dos primeiros contatos com a produção do Prof. Gaudêncio, quando ainda estava cursando faculdade de Ciências Sociais. "Educação e a crise do capitalismo real" foi uma das primeiras de suas obras que tive aportunidade de ler. E hoje ele nos brindou com uma palestra sobre "os grandes desafios da educação no contexto atual". S2
Discussão muito pertinente nesse tempo em que estamos confinados, em decorrência da covid-19, e que temos que dar e assistir aulas por meio remoto. Todo dia é um desafio que, vamos aos poucos, buscando superar, mas tendo a certeza de que as aulas à distância não substituem as aulas presenciais. E como elas tem feito falta! Nunca desejamos tanto voltar ao convívio da sala de aula real, como no momento presente!
Em uma de suas reflexões o Prof. Gaudêncio Frigotto nos colocou que " [...] o capital perdeu sua capacidade civilizatória e, agora, para manter-se, destrói, um a um os direitos sociais conquistados [...]". E, de fato, foi o que assistimos com a implantação de uma política ultraneoliberal em nosso país. Agora, diante da pandemia, a educação pública, a saúde pública, a pesquisa científica, realizada nas universidades públicas passam a ser vistas como "ferramentas" principais no enfrentamento da covid-19.
Quando atravessamos a crise de 2008, falou-se no fim do neoliberalismo e no retorno do que foi chamado de "neokeynesianismo", uma possível retomada da política do estado de bem-estar social, com investimento em direitos e garantias sociais. Mas tão logo se afastou a nuvem da crise, deu-se continuidade ao projeto de desmantelamento da educação pública, do Sistema Único de Sáude (SUS), da previdência social e tantas outras garantias sociais historicamente conquistadas.
E como pensar a viabilidade de um projeto neoliberal e ultraneoliberal para um país como o Brasil, com profundas desigualdades sociais? Sempre fiz essa reflexão com meus alunos. E hoje, com esse cenário posto, de crise social e econômica, desencadeada e maximizada pela pandemia do novo coronavirus, só podemos apontar como tem sido nefasta a política econômica historicamente implantada pelos governantes que em pouco, ou quase nada, consegue dar uma vida digna para seus "compatriotas".

quarta-feira, 22 de abril de 2020

DIA 36:
Ontem nosso estado ultrapassou mil casos confirmados do novo coronavirus. Hoje registrou mais 169, elevando para 1.195 os casos presente na estatística oficial. No Brasil já são 45.757 e quase 3 mil mortos pela covid-19. Contudo, como no Brasil não está havendo testagem em massa em comparação a outros países, acredita-se que esse número seja bem maior.
A experiência vivenciada em nosso estado, nos leva a crer que a estatística oficial esteja aquém do real, pois muitas pessoas estão sintomaticas, mas em casa, pois os hospitais e unidades de pronto atentimento (UPA) estão sobrecarregados, e as pessoas só estão se dirigindo a estes locais em caso de emergência, sobretudo, quando estão com insuficiência respiratória aguda grave.
Todos os dias chegam notícias de pessoas próximas, amigos, familiares, com os sintomas da doença. E de fato, sua presença é real entre nós. Estamos atentos a qualquer sintoma de virose... esses dias mesmo, minha menina está com um quadro viral, o que já me deixou preocupada, pois o pai trabalha na área de saúde e, mesmo, tendo reduzido os contatos com ele, um pequeno descuido coloca a doença dentro de casa...
Seguimos, dia após o outro, procurando cumprir essa nova rotina que se impôs com a pandemia à nossa porta, com uma certa leveza, buscando não perder o otimismo, nem a alegria por estarmos vivos e com a certeza de logo tudo isso vai passar.

terça-feira, 21 de abril de 2020

DIA 35:
"A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar é aproximar-se de Deus". Pitágoras

segunda-feira, 20 de abril de 2020

DIA 34:
"Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo". Essa frase foi escrita por George Santayana, pseudônimo de Jorge Augustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, um filósofo, poeta e ensaísta espanhol que fez fama escrevendo em inglês.
Começo o relato de hoje com essa frase para fazer referência ao momento presente, em que nosso país atravessa uma pandemia, com impactos nunca antes testemunhados por nossa geração e, ao mesmo tempo, uma crise política (e socioeconômica), onde brasileiros chegaram a pedir intervenção militar, em frente ao Quartel General do Exército, esquecendo um passado recente em que vivemos um "regime militar", quando nossos direitos de ir e vir, de eleger nossos representantes, de livremente nos expressar foram totalmente cerceados e milhares de pessoas foram torturadas.
A frase, na íntegra está no livro "A vida da razão", publicado em 1905, no capítulo 12: "O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os 'selvagens' , a infância é perpétua. Aqueles que não consegem lembrar o passado estão condenados a repetí-lo".
E eis que ontem, aproveitando o dia do Exército brasileiro, o povo desmemoriado pede o retorno da "ditadura", sem nem sequer fazer um exercício de reflexão do que representa uma "ditadura militar". Expressão que, bem sei, nem os militares utilizam, pois preferem usar "regime militar" para se referir aos períodos históricos em que o Brasil esteve sob o comando exclusivo dos militares.
Claro que tudo isso, impulsionado por um discurso de que a economia do país será arrasada por conta das medidas adotadas por governadores e prefeitos de distanciamento social e fechamento do comércio não essencial, para enfrentamento da covid-19, conforme preconizado pela Organização Mundial de Sáude (OMS).
Enquanto um grupo se alia ao Presidente para reabrir o comércio, a doença cresce e avança nas várias cidades, sobrecarregando os hospitais, pronto socorros e unidades de pronto atendimento (UPA). Pessoas começaram a morrer em suas casas, nas ruas, dentro de seus carros, em busca de atendimento médico, e muitos, nem sequer tiveram a chance de fazer a testagem para covid-19... :(

domingo, 19 de abril de 2020

DIA 33:
Hoje se comemora no Brasil, e em vários outros países do continente americano, o dia do índio. A data foi proposta em 1940, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Tinha por objetivo a preservação da memória e a reflexão crítica, nos vários espaços (escolas, universidades e etc) sobre a relação de dominação e conquista das civilizações europeias no continente americano.
Ao final do dia, dei uma olhada nas minhas redes sociais e vi poucas postagens relacionadas ao dia. Tinha dito que não ia postar nada, pois para mim, todo dia é dia dos "povos indígenas". Antes de nós (não indígenas) eles já estava aqui. São os "originários dessas terras, ocupavam e transitavam em boa parte do território, com sua diversidade de cores, organizações sociais, línguas e saberes.
Hoje, estão confinados em porções de terra, as chamadas Terras Indígenas, em que, em muitos casos não possuem o seu usufruto exclusivo, pois estão constantemente invadidas e ameçadas pelas atividades econômicas do entorno.
Agora com a pandemia, estão, também, isolados fisicamente, porém extremamente vulneráveis. De acordo com estudo da Fiocruz, os indígenas são muito mais vuneráveis a epidemias, do que os demais brasileiros não indígenas, em razão de suas condições sociais, econômicas e, também, específicas de saúde.
Vejo que os indígenas, além de confinados, estão invisivilizados. Pelos menos, parece ser esse o projeto que se deseja para eles. As políticas públicas de atendimento aos indígenas não tem apresentado, ao longo dos anos, bons resultados, sobretudo, no aspecto da Saúde Indígena. Então temo, que em tempos de pandemia, ocorra uma catástrofe. Muitas vidas serão ceifadas...
Por isso, nessa data não se tem o que comemorar! Muitos indígenas a consideram uma forma de preconceito. Daniel Munduruku, propõe, inclusive a substituição do dia do índio pelo dia da "Diversidade Indígena", proposta que conta com minha adesão. S2

sábado, 18 de abril de 2020

DIA 32:
Pedi, em minhas orações, por uma Páscoa verdadeira e eis que hoje sou honrada com uma oportunidade do meu coração fazer "Páscoa com o Senhor". De tudo que aprendi no CNC, é significativo para mim, que devemos enxergar Cristo nos "outros". E sem esperar, Ele se apresenta por meio daquelas "crianças", tão vulneráveis materialmente, mas com olhos cheio de esperança...
Foi assim que comecei o dia, logo hoje, um sábado, que como já postei anteriormente, são tão especiais para mim. Isso me deu ânimo para enfrentar os desafios que tem se apresentado com essa pandemia, mas também me deu um sentimento de gratidão, pois fez eu perceber aonde eu cheguei, com quem cheguei e, sobretudo, a pessoa que sou hoje.
De vez em quando, precisamos de uma sacudida, pois, senão seguimos no piloto automático e a vida segue como se fosse um filme, onde só há play e não há pausas. E é necessário olhar a nossa volta, ver as pessoas que estão ao nosso redor, ouvi-las, sentí-las, mesmo que seja só com o olhar!
Ainda hoje, tirei a tarde para me dedicar a mais um projeto, que acredito, alcancará um maior número de pessoas, nesses tempos em que, estamos distantes fisicamente, mas socialmente conectados. E assim, vamos trabalhando nesse legado para deixar, não só para posteridade, mas que se faz tão necessário nos dias presentes, quando estamos confinados, cumprindo a quarentena. S2

sexta-feira, 17 de abril de 2020

DIA 31:
"O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. E a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos." Rubem Alves

quinta-feira, 16 de abril de 2020

DIA 30:
Hoje fazem 30 dias desde que comecei esse diário da quarentena. No início fiquei com receio de me expor, mas depois assumi o desafio e eis que chagamos até aqui. Mas confesso: não é fácil todo dia arranjar um tempo, no meio dessa loucura que se tornou nossas vidas, e ter ânimo para ainda escrever um pouco sobre o dia.
Agora com novas obrigações diárias, tendo que participar de reuniões, por vídeo conferência, que chegam até três por dia; dar aulas; ajudar Isabelle nas suas tarefas escolares e ainda cuidar de afazeres domésticos, pouco tempo sobra para cuidar de outros interesses. E eis, que como já postei anteriormente, também quero me fazer útil e, de alguma maneira, ajudar as pessoas a atravessarem essa pandemia.
E hoje, quando estava numa vídeo conferência, uma mensagem soa no meu smartphone... um pedido de socorro! Pedi licença, saí da vídeo conferência e fui tentar ajudar. O pedido era simples: "conversa com meus familiares, eles estão com sintomas de virose, falta de ar e estão assustados, não tenho como fazer isso, pois estou passando mal e estou indo para o hospital!"
Respirei fundo, peguei o telefone e liguei! Meu papel ali era para tranquilizá-los, acalmá-los e oferecer meu apoio... Já disse que nosso isolamento/distanciamento é só físico, pois estamos socialmente mais conectados do que nunca. E como isso tem feito a diferença nesses dias! Um simples gesto como esse de pegar o telefone e falar com alguém, pode não só salvar o dia, mas a vida de alguém. Então estejamos atentos!
Ás vezes, queremos mudar o mundo! Mas a mudança que almejamos começa dentro de nós e a partir de nós!
"Não é necessário melhorar a aparência,
adquirir muita cultura, aumentar o salto do sapato,
levantar mais o nariz. Precisamos diminuir o barulho,
caminhar mais devagar, prestar atenção em quem chega,
abaixar a cabeça e colocar a humildade para funcionar.
Somos grandes, quando somos pequenos."
(Autor desconhecido) 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

DIA 29:
"A alma é uma borboleta... há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose..." Rubem Alves

terça-feira, 14 de abril de 2020

DIA 28:
O que estamos aprendendo com essa pandemia? Seremos pessoas melhores depois que tudo isso passar? O que estamos fazendo para ajudar, nesse momento tão difícil?
Hoje acordei com esses questionamentos. Não me conformo em seguir confinada, pois parte de mim quer ir para as ruas, fazer alguma coisa, ajudar as pessoas. E muita gente precisa de ajuda. Mas ao mesmo tempo, tenho uma pessoinha que depende de mim. E preciso está bem para cuidar dela. Então, procuro acalmar meu coração e tentar ajudar, mesmo que seja à distância.
Sei que muita coisa pode ser feita, mesmo sem sair de casa. Uma simples atitude, salva o dia de alguém. Lembro quando apareceu o primeiro caso suspeito de covid-19, no meu prédio, na semana passada. Enquanto uns começaram a cobrar medidas redobradas de prevenção e higiene no condomínio, outros simplesmente se colocaram à disposição para ajudar, como ir ao supermercado para os nossos vizinhos que estavam em isolamento.
E então, já paramos para pensar em qual legado queremos deixar para posteridade? Quais exemplos queremos deixar para nossos filhos e netos, com tudo isso? Penso que se não dá para fazer coisas grandiosas, então comecemos pelas pequenas. Como nos disse Gandhi: "seja a mudança que você quer ver no mundo".
E para finalizar, algumas atitudes, que acredito vão fazer a diferença e tornar os dias mais vivos e alegres para você e para o "outro": 1. dê atenção aos que mais precisam de atenção, se tem idosos na sua família, pessoas que vivem sozinhas no seu condomínio, dei sua atenção e carinho para elas; 2. ajude pessoas necessitadas, doe alimentos, roupas, cobertores, materiais de higiene. Para você pode ser pouco, mas para quem não tem nada, faz muita diferença; 3. Eduque as crianças para que pratiquem o bem, mesmo que não tenha filhos, pode ser um sobrinho, um irmão. As crianças estão em formação, então é uma fase para se enraizar bons valores e atitudes; 4. Ensino algo a alguém. Sempre temos algo a ensinar e compartilhar com o "outro" e; 5. Seja grato. Nunca deixe de agradecer, sobretudo a Deus, por cada dia e por cada oportunidade para nos aperfeiçoarmos como SERES HUMANOS.