DIA: 158
Mais de cinco meses se passaram e parece que o "novo normal" foi se enraizando no nosso dia a dia. O que parecia difícil, no início, como ir ao supermercado de máscara, chegar em casa, cumprir todo um protocolo de higienização, agora é rotineiro, que fazemos quase no piloto automático. Só não sabíamos que a essa altura do tempo ainda estaríamos a passar por isso. Acredito que, mesmo depois da vacina, ainda vamos nos pegar praticando esses hábitos no dia a dia por um bom tempo.
E as aulas remotas? De início, pedíamos para os alunos ligarem as câmeras, fazíamos testes antes de iniciar, foi preciso todo um processo de adaptação para começamos a trabalhar e darmos nossas aulas no computador. Hoje, também estamos "quase" no automático. Digo isso, pois esse meio para trabalhar o ensino e a aprendizagem não é consenso entre tod@s. Porém, adquirimos uma certa "autoridade" para trabalhar por meio remoto, de maneira síncrona.
Houve quem adaptasse suas aulas e projetos presenciais para o modelo remoto e outros que já trabalhavam com as novas tecnologias de aprendizagem. Eu, particularmente, encaixo-me no segundo caso. Desde o ano de 2019, venho trabalhando as novas tecnologias e metodologias ativas com os meus alunos. Mantinha duas salas virtuais, de apoio e com material complementar as minhas aulas. Também desenvolvi um projeto de Gamificação no Ensino de Sociologia, cujos resultados seriam apresentados num Evento Internacional de Educação e Aprendizagem em Chicago, EUA, mas que foi adiado em razão da pandemia.
Então posso dizer que, para mim, não foi difícil migrar para o modelo remoto, pois já compreendia o funcionamento das plataformas de ensino. Na época, acenava para as dificuldades e barreiras econômicas e sociais, enfrentadas por muito de nossos alunos, para ter acesso as aulas ofertadas por esse meio. Sabemos que a dificuldade em acessar a internet ainda é uma realidade para a maioria da população, sobretudo, em idade escolar, para participar das aulas remotas e à distância.
Ainda assim, como antropóloga e socióloga, não posso me furtar à análise de que as desigualdades sociais são reversíveis e que um caminho para isso é a implementação de políticas sociais, que atendam as reais necessidades da população. E a educação não pode ficar de fora! Então, acredito sim, que um bom direcionamento dos recursos públicos (para esse fim) colocará cada sujeito com a posse dos "instrumentais necessários" para garantir sua aprendizagem, bem como, cada um, no seu devido "lugar", de direito, nessa sociedade.