sábado, 22 de agosto de 2020

DIA: 158

Mais de cinco meses se passaram e parece que o "novo normal" foi se enraizando no nosso dia a dia. O que parecia difícil, no início, como ir ao supermercado de máscara, chegar em casa, cumprir todo um protocolo de higienização, agora é rotineiro, que fazemos quase no piloto automático. Só não sabíamos que a essa altura do tempo ainda estaríamos a passar por isso. Acredito que, mesmo depois da vacina, ainda vamos nos pegar praticando esses hábitos no dia a dia por um bom tempo.

E as aulas remotas? De início, pedíamos para os alunos ligarem as câmeras, fazíamos testes antes de iniciar, foi preciso todo um processo de adaptação para começamos a trabalhar e darmos nossas aulas no computador. Hoje, também estamos "quase" no automático. Digo isso, pois esse meio para trabalhar o ensino e a aprendizagem não é consenso entre tod@s. Porém, adquirimos uma certa "autoridade" para trabalhar por meio remoto, de maneira síncrona.

Houve quem adaptasse suas aulas e projetos presenciais para o modelo remoto e outros que já trabalhavam com as novas tecnologias de aprendizagem. Eu, particularmente, encaixo-me no segundo caso. Desde o ano de 2019, venho trabalhando as novas tecnologias e metodologias ativas com os meus alunos. Mantinha duas salas virtuais, de apoio e com material complementar as minhas aulas. Também desenvolvi um projeto de Gamificação no Ensino de Sociologia, cujos resultados seriam apresentados num Evento Internacional de Educação e Aprendizagem em Chicago, EUA, mas que foi adiado em razão da pandemia.

Então posso dizer que, para mim, não foi difícil migrar para o modelo remoto, pois já compreendia o funcionamento das plataformas de ensino. Na época, acenava para as dificuldades e barreiras econômicas e sociais, enfrentadas por muito de nossos alunos, para ter acesso as aulas ofertadas por esse meio. Sabemos que a dificuldade em acessar a internet ainda é uma realidade para a maioria da população, sobretudo, em idade escolar, para participar das aulas remotas e à distância.

Ainda assim, como antropóloga e socióloga, não posso me furtar à análise de que as desigualdades sociais são reversíveis e que um caminho para isso é a implementação de políticas sociais, que atendam as reais necessidades da população. E a educação não pode ficar de fora! Então, acredito sim, que um bom direcionamento dos recursos públicos (para esse fim) colocará cada sujeito com a posse dos "instrumentais necessários" para garantir sua aprendizagem, bem como, cada um, no seu devido "lugar", de direito, nessa sociedade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

DIA 142:
Após quinze dias de férias retornei ao trabalho [remoto] novamente. Chegamos a um cenário com quase 100 mil mortos no Brasil e um platô de mais de mil vítimas diárias da covid-19. Isso nos dá um sentimento de tristeza e ainda mais incerteza. Por mais que haja pressão de todos os lados para o retorno às atividades comerciais e funcionamento presencial das escolas, não temos condições e não teremos, ainda, de voltar, por um longo tempo.
Como já relatei anteriormente, sou professora de uma escola pública federal e venho trabalhando por meio remoto, como aulas síncronas, desde o início da pandemia. Tenho consciência, que as aulas por meio remoto não substituem a riqueza e o valor de se aprender em interação presencial aluno - professor. Porém a crise sanitária de proporção global nos impôs a isso. Sei também, como antropóloga e socióloga, do abismo que existe entre ricos e pobres, que milhões de pessoas não tem como assistir as aulas por falta de acesso às novas tecnologias.
Contudo, penso que não é negando as aulas remotas, que vamos resolver o problema. Discurso do tipo que os EUA e a China disputam o domínio da tecnologia 5G e quem controlar a 5G vai dominar o mundo, e que por isso nos deveríamos ser críticos em relação ao que está por trás das aulas remotas, digo o seguinte: basta olharmos em nossa volta e um pouquinho para história e veremos que os EUA vem há muito tempo capitaneando a liderança econômica global e que as desigualdades sociais são históricas e sempre estiveram presentes. A questão é: o que vamos fazer com essa informação? Vamos nos resignar? Vamos cair na própria armadilha do "negacionismo"?
Os professores ocupam um papel importantíssimo e, ainda que tenhamos que atravessar esse período, que ainda não sabemos quanto tempo vai durar, e fazer uso do ensino à distância, das aulas remotas, das novas tecnologias, isso não diminuirá jamais sua relevância. O que não podemos é deixar um "espaço vazio", pois ai estaríamos nos rendendo. É chegada a hora de cada professor mostrar o seu devido valor e ocupar os espaços, mesmo que sejam "virtuais". E se for para negar alguma coisa, que seja o direito de usar a nossa imagem, a nossa fala, o nosso conhecimento, conquistado com o nosso suor, fazendo mestrado, doutorado, pós-doutorado, a bel prazer do mercado.
Que possamos, urgentemente, preencher esse "vazio", pois o inimigo está à porta!