quinta-feira, 30 de abril de 2020

DIA 44:
Hoje finda o mês de ABRIL... Mês que gosto muito, mês do meu aniversário. Então é sempre muio especial, todos os anos, quando inicia esse  mês, me preparar para entrar em uma nova primavera... Mas esse ano foi diferente, por conta do contexto em que estamos vivendo... O mês abriu e fechou e quase não me dou conta que fiquei um pouco mais velha...
Olhando pelas minhas redes sociais, encontrei esse texto que trata de ABRIL:

"Hoje 30/04/2020. Findando Abril. Um ABRIL, Que não abriu.... Um ABRIL que tudo fechou... portas comércios, estradas, fronteiras, economia, o esporte. Um ABRIL que a natureza se abriu aliviada... Um ABRIL que se diferenciou... Um ABRIL, que estremecemos e em seguida decepcionamos com ídolos criados. Um ABRIL que abriu as portas da ganância pelo poder em detrimento da necessidade do povo. Onde a imoralidade política se escancarou. Um ABRIL que lives se abriram para o show ser em sua casa. Um ABRIL que a igreja não abriu, mas incontáveis igrejas se abriram em casa que se tornaram verdadeiramente um lar. Um ABRIL que a escola não abriu, e os pais puderam conhecer seus filhos e filhos resgataram os pais. Um ABRIL que os mais velhos se fecharam em casa mas tiveram oportunidade de contar histórias pelo celular... Um ABRIL que se pensarmos... ABRIU as portas... escancarou escandalosamente as portas do coração, da solidariedade da caridade,  da paciência, da resiliência da oração e da Fé.  Um ABRIL que abriu nossa alma e a coloriu de uma única certeza... A certeza da incerteza. Que tudo... passa... Menos o que verdadeiramente somos. Que nossa essência é... SER HUMANO. Então... caminhemos... QUE ABRAM-SE AS PORTAS DE MAIO... 
(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 29 de abril de 2020

DIA 43:
Hoje recebi essa postagem nas minhas redes sociais:
Por Roberto Almeida: " Você vai se lembrar dessa época como um momento de caos, medo do futuro, briga política, epidemia mundial, problemas na saúde e na economia. Mas as crianças só vão lembrar de você em casa, das refeições em família, dos banhos demorados, das massagens, das historinhas, dos shows que vocês fizeram na sala, de cozinhar com você, de brincar de cabaninha, dos filmes que assistiram juntos. Vocês estão em casa salvando o mundo, construindo memórias afetivas e o futuro da próxima geração".
Fiquei refletindo, com esse texto, sobre esse período, que já somam mais de 40 dias, só eu e minha menina, isoladas em nosso apartamento. Eu com uma rotina de cerca de 8 horas de trabalho, boa parte dele, na frente do computador, dando aula, participando de reuniões de trabalho e, minha menina, estudando em casa, com as atividades sendo enviadas diariamente pela escola.
Há quase duas semanas, ela começou apresentar um quadro viral e não conseguiu mais acompanhar as atividades da escola. Então, o tempo que tenho livre procuro ficar com ela. Ela é uma criança cheia de vida e, mesmo não estando boa de saúde, é muito elétrica e brincalhona. Recentemente, inventou que quer ser youtuber, então fica gravando uns pequenos videos no seu tablet e eu tenho que participar... além se ser a crítica do vídeo.
Outra coisa que me chamou atenção no texto de Roberto Almeida foi ficar em casa "salvando o mundo". Ouvir isso de uma vizinha, que está internada no hospital, com crise respiratória aguda grave. Seu esposo contraiu covid-19 e depois ela. O quadro dela evoluiu e ela teve que ser internada. O esposo, ao entrar em contato com a equipe de médicos do hospital viu que eles estavam sem equipamentos de proteção. Foi então, que decidiu fazer uma campanha para consegui arrecadar dinheiro e comprar máscaras para doar à equipe médica desse hospital. Foi assim, que fiz a minha doação para aquisição de "máscaras" (face shields) e recebi um áudio de agradecimento da própria moça que está internada... Quando disse que gostaria de fazer mais para ajudar, mas relatei minha atual situação com minha filha, ela disse: "vocês estão em casa salvando o mundo!"

terça-feira, 28 de abril de 2020

segunda-feira, 27 de abril de 2020

DIA 41:
Como as Ciências Sociais tem contribuído no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus? Pesquisando sobre isso, hoje encontrei um artigo sobre as contribuições das Ciências Humanas, dentre elas a Psicologia, a Economia, a Sociologia, a Antropologia no enfrentamento de epidemias como o Ebola, em que se destaca que essas (epidemias) são tanto fenômenos biológicos, quanto sociais.
Sempre coloquei, que nós (cientistas sociais) não estamos na linha de frente de combate da covid-19, como médicos e outros profissionais da área da saúde ou que prestam serviços essenciais, nesses tempos em que estamos em quarentena, mas que temos muito a contribuir, a partir do nosso lugar de fala, com análise de cenários políticos e econômicos, análise dos impactos sociais da pandemia, na orientação de medidas de distanciamento e isolamento, na projeção de políticas sociais em favor dos grupos em situação de vulnerabilidade social e econômica, dentre outros.
Como nos dizia Aristóteles "o homem nasce para viver em sociedade", e como ser social e político precisa pactuar regras para uma convivência harmoniosa em sociedade. E na atual situação em que estamos vivendo, de pandemia, as pessoas precisam compreender a magnitude e a necessidade das medidas de isolamento, distanciamento e quarentena como alternativas efetivas de redução do contágio do novo coronavírus. De maneira que, somente a medicina não é suficiente para impedir que a doença se espalhe.
É assim que, além do papel que vislumbro para a Sociologia e a Antropologia no enfrentamento da covid-19, lidamos, no dia a dia, com a mudança de hábitos, de atitudes, com adoção de novos valores e comportamentos. A própria pandemia nos impôs um novo estilo de vida, que mesmo quando a doença estiver controlada, não voltaremos a ser os mesmos em muitos de nossos hábitos e comportamentos. E por mais que não sejamos mais os mesmos, a Antropologia e a Sociologia, assim como as demais Ciências Humanas, estarão aí, operando análise da "humanidade" pós pandemia.

domingo, 26 de abril de 2020

DIA 40:
Hoje fazem quarenta dias, desde que iniciei esse diário. Marca também a data que iniciamos a quarentena em Belém do Pará, cidade onde trabalho e resido com minha família. Quarentena se refere à restrição de atividades ou separação de pessoas que foram presumivelmente expostas a uma doença contagiosa (no nosso caso a covid-19), mas que não estão doentes (porque não foram infectadas ou porque estão no período de incubação).
Quando decidi escrever esse "Diário da Quarentena", pensei em primeiro lugar, num blog em que eu pudesse ajudar as pessoas, mostrando pequenas atitudes, novos valores, vivências diárias, meu ponto de vista, como antropóloga e socióloga, sobre os impactos sociais da pandemia e levar um pouco de paz e esperança, nesses tempos tão difíceis em que estamos vivendo.
E eis que chegamos até aqui... um dia que nós reserva notícias tristes, pois o sistema de saúde entrou em colapso, em várias cidades brasileiras (e esse é nosso caso, em Belém/PA). Muitas pessoas estão falecendo em casa, na frente dos hospitais e upas, sem conseguir atendimento médico. E a realidade, que assistimos assombrados pela mídia televisiva e pela internet, de outros países, agora se faz presente entre nós.
Só hoje, no Brasil, foram confirmados 189 mortes e mais 3.379 novos casos de covid-19, elevando para 68.888 o número de casos confirmados no país, dados que se acredita, estejam subnotificados, pois a taxa de testagem ainda é muito baixa em nosso país e muitas pessoas estão com os sintomas da doença e se tratando em casa, sem que tenham feito o exame para confirmação da doença.  No mundo, já se ultrapassou a marca de três milhões de pessoas infectadas, com mais de 200 mil mortes pelo novo coronavírus.
Hoje, perguntei-me, se Zygmunt Bauman (Sociólogo Polonês) estivesse vivo, como ele analisaria esse tempo em que estamos vivendo? E dele a frase: "Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixos?" Esse extrato me veio logo a mente, pois estamos confinados, e é neste momento, que precisamos tanto do apoio de nossos familiares e amigos. E sempre penso nos meus amigos que estão em isolamento/distanciamento, sozinhos, que não tem com quem conversar, dividir os amores e as dores desse tempo de pandemia...
E para finalizar, vos deixo com a própria fala de Z.B., cujo pensamento está mais vivo do que nunca e seu legado continua pertinente à análise do momento presente. 
"Tento juntar palavras para dizer às pessoas
quais são os problemas, de onde eles vêm,
onde se escondem, como encontrar ajuda
para resolvê-los se for possível. Mas são
palavras. E não nego que são poderosas,
porque a nossa realidade, o que nós
pensamos que é o mundo, esta sala, nossa
vida, nossas lembranças são palavras."
Zygmunt Bauman

sábado, 25 de abril de 2020

DIA 39:
E hoje foi dia de lançamento do Canal Diálogos Online, do Grupo de Pesquisa sobre Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), da Universidade Federal do Pará. O Canal propõe apresentar uma Série de vídeos, com reflexões, pontos de vista científicos e experiências pessoais, no âmbito do Projeto "Saúde integral e sustentabilidade em tempos de pandemia: distantes fisicamente, mas conectados socialmente".
E como me fez bem me envolver com esse novo projeto! É claro que dá trabalho fazer um Canal, elaborar o projeto, fazer roteiros de vídeos, editar... cuidar de tantos outros detalhes que a gente nem sabia que que era necessário... E esses dias, entre as aulas remotas, reuniões de trabalho por meio de vídeo conferência, me desdobrei, junto com a Sandra Freitas, a cuidar de cada detalhe para que hoje a gente pudesse colocar o "canal no ar".
Esses dias serviram também para fortalecer a amizade, com pessoas tão queridas, mas que se não fosse o Projeto do Canal, talvez não estivéssemos tão conectadas (nesse tempo de pandemia). Sandra e Ludetana são duas pessoas que entraram na minha vida há 20 anos. E mesmo tendo passado um período longe das duas por conta dos rumos profissionais que tomamos, são amigas verdadeiras e de "uma vida inteira".
A experiência de produzir os vídeos para esse primeiro momento me proporcionaram momentos prazeirosos, que eu nem sabia que era possível. Logo eu, que sempre criei resistência para ser filmada. É quase um contrasenso para uma pessoa apaixonada por fotografia, como eu, não gostar de filmagem (sobretudo ser filmada). Mas, ao aceitar o desafio, ganhei de brinde momentos de pura diversão e sorrisos, o que deixaram meus dias mais leves, mesmo com notícias tão ruins sendo anunciadas pela mídia a todo instante.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

DIA 38:
Com 52.995 casos confirmados do novo coronavirus e 3.670 mortes, nosso país, na contramão do que vem fazendo o restante do mundo, estuda reabrir o comércio. E ainda nem atingimos o pico da doença. Por aqui parece não causar espanto o fato da covid-19 já ter ceifado 196 mil vidas ao redor do mundo em cerca de 4 meses.
E eis que hoje, por um dia, se esqueceu das tristes notícias de avanços do novo coronavírus, de apelos de médicos e enfermeiros pela falta de epi nos hospitais e pronto socorros, de pessoas morrendo na frente de hospitais, para se anunciar mais uma baixa no governo de Jair Bolsonaro, com a demissão do (agora ex) Ministro da Justiça Sérgio Moro.
Seguimos para o que chamei de "início do fim". Com a saída de Sérgio Moro, até os simpatizantes desse governo ficaram atônitos, não querendo crer que isso estava acontecendo. Mas como diz o ditado, numa versão reeditada por Ismael Torquatto "o pior cego não é aquele que não quer enxergar. É aquele que não que ter olhos. A verdade é uma paisagem muito feia para os orgulhosos".
Enquanto o país mergulha numa crise sem precedentes na história, o palco das disputas políticas (partidárias) continua desviando atenção daquilo que é mais importante. E pelo visto, aprenderemos pela dor, com a perda daqueles que realmente importam para nós. E, infelizmente, não teremos uma segunda chance, pois ainda não inventaram uma vacina para covid-19, quanto dirá uma fórmula para ressuscitar os mortos.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

DIA 37:
Hoje a live foi com o Prof. Gaudêncio Frigotto. Lembro-me dos primeiros contatos com a produção do Prof. Gaudêncio, quando ainda estava cursando faculdade de Ciências Sociais. "Educação e a crise do capitalismo real" foi uma das primeiras de suas obras que tive aportunidade de ler. E hoje ele nos brindou com uma palestra sobre "os grandes desafios da educação no contexto atual". S2
Discussão muito pertinente nesse tempo em que estamos confinados, em decorrência da covid-19, e que temos que dar e assistir aulas por meio remoto. Todo dia é um desafio que, vamos aos poucos, buscando superar, mas tendo a certeza de que as aulas à distância não substituem as aulas presenciais. E como elas tem feito falta! Nunca desejamos tanto voltar ao convívio da sala de aula real, como no momento presente!
Em uma de suas reflexões o Prof. Gaudêncio Frigotto nos colocou que " [...] o capital perdeu sua capacidade civilizatória e, agora, para manter-se, destrói, um a um os direitos sociais conquistados [...]". E, de fato, foi o que assistimos com a implantação de uma política ultraneoliberal em nosso país. Agora, diante da pandemia, a educação pública, a saúde pública, a pesquisa científica, realizada nas universidades públicas passam a ser vistas como "ferramentas" principais no enfrentamento da covid-19.
Quando atravessamos a crise de 2008, falou-se no fim do neoliberalismo e no retorno do que foi chamado de "neokeynesianismo", uma possível retomada da política do estado de bem-estar social, com investimento em direitos e garantias sociais. Mas tão logo se afastou a nuvem da crise, deu-se continuidade ao projeto de desmantelamento da educação pública, do Sistema Único de Sáude (SUS), da previdência social e tantas outras garantias sociais historicamente conquistadas.
E como pensar a viabilidade de um projeto neoliberal e ultraneoliberal para um país como o Brasil, com profundas desigualdades sociais? Sempre fiz essa reflexão com meus alunos. E hoje, com esse cenário posto, de crise social e econômica, desencadeada e maximizada pela pandemia do novo coronavirus, só podemos apontar como tem sido nefasta a política econômica historicamente implantada pelos governantes que em pouco, ou quase nada, consegue dar uma vida digna para seus "compatriotas".

quarta-feira, 22 de abril de 2020

DIA 36:
Ontem nosso estado ultrapassou mil casos confirmados do novo coronavirus. Hoje registrou mais 169, elevando para 1.195 os casos presente na estatística oficial. No Brasil já são 45.757 e quase 3 mil mortos pela covid-19. Contudo, como no Brasil não está havendo testagem em massa em comparação a outros países, acredita-se que esse número seja bem maior.
A experiência vivenciada em nosso estado, nos leva a crer que a estatística oficial esteja aquém do real, pois muitas pessoas estão sintomaticas, mas em casa, pois os hospitais e unidades de pronto atentimento (UPA) estão sobrecarregados, e as pessoas só estão se dirigindo a estes locais em caso de emergência, sobretudo, quando estão com insuficiência respiratória aguda grave.
Todos os dias chegam notícias de pessoas próximas, amigos, familiares, com os sintomas da doença. E de fato, sua presença é real entre nós. Estamos atentos a qualquer sintoma de virose... esses dias mesmo, minha menina está com um quadro viral, o que já me deixou preocupada, pois o pai trabalha na área de saúde e, mesmo, tendo reduzido os contatos com ele, um pequeno descuido coloca a doença dentro de casa...
Seguimos, dia após o outro, procurando cumprir essa nova rotina que se impôs com a pandemia à nossa porta, com uma certa leveza, buscando não perder o otimismo, nem a alegria por estarmos vivos e com a certeza de logo tudo isso vai passar.

terça-feira, 21 de abril de 2020

DIA 35:
"A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar é aproximar-se de Deus". Pitágoras

segunda-feira, 20 de abril de 2020

DIA 34:
"Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo". Essa frase foi escrita por George Santayana, pseudônimo de Jorge Augustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, um filósofo, poeta e ensaísta espanhol que fez fama escrevendo em inglês.
Começo o relato de hoje com essa frase para fazer referência ao momento presente, em que nosso país atravessa uma pandemia, com impactos nunca antes testemunhados por nossa geração e, ao mesmo tempo, uma crise política (e socioeconômica), onde brasileiros chegaram a pedir intervenção militar, em frente ao Quartel General do Exército, esquecendo um passado recente em que vivemos um "regime militar", quando nossos direitos de ir e vir, de eleger nossos representantes, de livremente nos expressar foram totalmente cerceados e milhares de pessoas foram torturadas.
A frase, na íntegra está no livro "A vida da razão", publicado em 1905, no capítulo 12: "O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os 'selvagens' , a infância é perpétua. Aqueles que não consegem lembrar o passado estão condenados a repetí-lo".
E eis que ontem, aproveitando o dia do Exército brasileiro, o povo desmemoriado pede o retorno da "ditadura", sem nem sequer fazer um exercício de reflexão do que representa uma "ditadura militar". Expressão que, bem sei, nem os militares utilizam, pois preferem usar "regime militar" para se referir aos períodos históricos em que o Brasil esteve sob o comando exclusivo dos militares.
Claro que tudo isso, impulsionado por um discurso de que a economia do país será arrasada por conta das medidas adotadas por governadores e prefeitos de distanciamento social e fechamento do comércio não essencial, para enfrentamento da covid-19, conforme preconizado pela Organização Mundial de Sáude (OMS).
Enquanto um grupo se alia ao Presidente para reabrir o comércio, a doença cresce e avança nas várias cidades, sobrecarregando os hospitais, pronto socorros e unidades de pronto atendimento (UPA). Pessoas começaram a morrer em suas casas, nas ruas, dentro de seus carros, em busca de atendimento médico, e muitos, nem sequer tiveram a chance de fazer a testagem para covid-19... :(

domingo, 19 de abril de 2020

DIA 33:
Hoje se comemora no Brasil, e em vários outros países do continente americano, o dia do índio. A data foi proposta em 1940, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Tinha por objetivo a preservação da memória e a reflexão crítica, nos vários espaços (escolas, universidades e etc) sobre a relação de dominação e conquista das civilizações europeias no continente americano.
Ao final do dia, dei uma olhada nas minhas redes sociais e vi poucas postagens relacionadas ao dia. Tinha dito que não ia postar nada, pois para mim, todo dia é dia dos "povos indígenas". Antes de nós (não indígenas) eles já estava aqui. São os "originários dessas terras, ocupavam e transitavam em boa parte do território, com sua diversidade de cores, organizações sociais, línguas e saberes.
Hoje, estão confinados em porções de terra, as chamadas Terras Indígenas, em que, em muitos casos não possuem o seu usufruto exclusivo, pois estão constantemente invadidas e ameçadas pelas atividades econômicas do entorno.
Agora com a pandemia, estão, também, isolados fisicamente, porém extremamente vulneráveis. De acordo com estudo da Fiocruz, os indígenas são muito mais vuneráveis a epidemias, do que os demais brasileiros não indígenas, em razão de suas condições sociais, econômicas e, também, específicas de saúde.
Vejo que os indígenas, além de confinados, estão invisivilizados. Pelos menos, parece ser esse o projeto que se deseja para eles. As políticas públicas de atendimento aos indígenas não tem apresentado, ao longo dos anos, bons resultados, sobretudo, no aspecto da Saúde Indígena. Então temo, que em tempos de pandemia, ocorra uma catástrofe. Muitas vidas serão ceifadas...
Por isso, nessa data não se tem o que comemorar! Muitos indígenas a consideram uma forma de preconceito. Daniel Munduruku, propõe, inclusive a substituição do dia do índio pelo dia da "Diversidade Indígena", proposta que conta com minha adesão. S2

sábado, 18 de abril de 2020

DIA 32:
Pedi, em minhas orações, por uma Páscoa verdadeira e eis que hoje sou honrada com uma oportunidade do meu coração fazer "Páscoa com o Senhor". De tudo que aprendi no CNC, é significativo para mim, que devemos enxergar Cristo nos "outros". E sem esperar, Ele se apresenta por meio daquelas "crianças", tão vulneráveis materialmente, mas com olhos cheio de esperança...
Foi assim que comecei o dia, logo hoje, um sábado, que como já postei anteriormente, são tão especiais para mim. Isso me deu ânimo para enfrentar os desafios que tem se apresentado com essa pandemia, mas também me deu um sentimento de gratidão, pois fez eu perceber aonde eu cheguei, com quem cheguei e, sobretudo, a pessoa que sou hoje.
De vez em quando, precisamos de uma sacudida, pois, senão seguimos no piloto automático e a vida segue como se fosse um filme, onde só há play e não há pausas. E é necessário olhar a nossa volta, ver as pessoas que estão ao nosso redor, ouvi-las, sentí-las, mesmo que seja só com o olhar!
Ainda hoje, tirei a tarde para me dedicar a mais um projeto, que acredito, alcancará um maior número de pessoas, nesses tempos em que, estamos distantes fisicamente, mas socialmente conectados. E assim, vamos trabalhando nesse legado para deixar, não só para posteridade, mas que se faz tão necessário nos dias presentes, quando estamos confinados, cumprindo a quarentena. S2

sexta-feira, 17 de abril de 2020

DIA 31:
"O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. E a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos." Rubem Alves

quinta-feira, 16 de abril de 2020

DIA 30:
Hoje fazem 30 dias desde que comecei esse diário da quarentena. No início fiquei com receio de me expor, mas depois assumi o desafio e eis que chagamos até aqui. Mas confesso: não é fácil todo dia arranjar um tempo, no meio dessa loucura que se tornou nossas vidas, e ter ânimo para ainda escrever um pouco sobre o dia.
Agora com novas obrigações diárias, tendo que participar de reuniões, por vídeo conferência, que chegam até três por dia; dar aulas; ajudar Isabelle nas suas tarefas escolares e ainda cuidar de afazeres domésticos, pouco tempo sobra para cuidar de outros interesses. E eis, que como já postei anteriormente, também quero me fazer útil e, de alguma maneira, ajudar as pessoas a atravessarem essa pandemia.
E hoje, quando estava numa vídeo conferência, uma mensagem soa no meu smartphone... um pedido de socorro! Pedi licença, saí da vídeo conferência e fui tentar ajudar. O pedido era simples: "conversa com meus familiares, eles estão com sintomas de virose, falta de ar e estão assustados, não tenho como fazer isso, pois estou passando mal e estou indo para o hospital!"
Respirei fundo, peguei o telefone e liguei! Meu papel ali era para tranquilizá-los, acalmá-los e oferecer meu apoio... Já disse que nosso isolamento/distanciamento é só físico, pois estamos socialmente mais conectados do que nunca. E como isso tem feito a diferença nesses dias! Um simples gesto como esse de pegar o telefone e falar com alguém, pode não só salvar o dia, mas a vida de alguém. Então estejamos atentos!
Ás vezes, queremos mudar o mundo! Mas a mudança que almejamos começa dentro de nós e a partir de nós!
"Não é necessário melhorar a aparência,
adquirir muita cultura, aumentar o salto do sapato,
levantar mais o nariz. Precisamos diminuir o barulho,
caminhar mais devagar, prestar atenção em quem chega,
abaixar a cabeça e colocar a humildade para funcionar.
Somos grandes, quando somos pequenos."
(Autor desconhecido) 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

DIA 29:
"A alma é uma borboleta... há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose..." Rubem Alves

terça-feira, 14 de abril de 2020

DIA 28:
O que estamos aprendendo com essa pandemia? Seremos pessoas melhores depois que tudo isso passar? O que estamos fazendo para ajudar, nesse momento tão difícil?
Hoje acordei com esses questionamentos. Não me conformo em seguir confinada, pois parte de mim quer ir para as ruas, fazer alguma coisa, ajudar as pessoas. E muita gente precisa de ajuda. Mas ao mesmo tempo, tenho uma pessoinha que depende de mim. E preciso está bem para cuidar dela. Então, procuro acalmar meu coração e tentar ajudar, mesmo que seja à distância.
Sei que muita coisa pode ser feita, mesmo sem sair de casa. Uma simples atitude, salva o dia de alguém. Lembro quando apareceu o primeiro caso suspeito de covid-19, no meu prédio, na semana passada. Enquanto uns começaram a cobrar medidas redobradas de prevenção e higiene no condomínio, outros simplesmente se colocaram à disposição para ajudar, como ir ao supermercado para os nossos vizinhos que estavam em isolamento.
E então, já paramos para pensar em qual legado queremos deixar para posteridade? Quais exemplos queremos deixar para nossos filhos e netos, com tudo isso? Penso que se não dá para fazer coisas grandiosas, então comecemos pelas pequenas. Como nos disse Gandhi: "seja a mudança que você quer ver no mundo".
E para finalizar, algumas atitudes, que acredito vão fazer a diferença e tornar os dias mais vivos e alegres para você e para o "outro": 1. dê atenção aos que mais precisam de atenção, se tem idosos na sua família, pessoas que vivem sozinhas no seu condomínio, dei sua atenção e carinho para elas; 2. ajude pessoas necessitadas, doe alimentos, roupas, cobertores, materiais de higiene. Para você pode ser pouco, mas para quem não tem nada, faz muita diferença; 3. Eduque as crianças para que pratiquem o bem, mesmo que não tenha filhos, pode ser um sobrinho, um irmão. As crianças estão em formação, então é uma fase para se enraizar bons valores e atitudes; 4. Ensino algo a alguém. Sempre temos algo a ensinar e compartilhar com o "outro" e; 5. Seja grato. Nunca deixe de agradecer, sobretudo a Deus, por cada dia e por cada oportunidade para nos aperfeiçoarmos como SERES HUMANOS.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

DIA 27:
Hoje a rotina iniciou com as aulas da Isabelle. Ela teve aula de Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Na verdade, todos os dias tem aula de Língua Inglesa, pois a escola dela trabalha com ensino bilíngue. Assim, desde que iniciou a quarentena em nosso estado, tenho que me desdobrar em dar aulas para ela e cuidar das minhas atividades, que como publiquei em posts anteriores, iniciei de férias, mas já estou na ativa, fazendo trabalho remoto. E claro que, além desse, ainda tem o trabalho doméstico: cozinhar, limpar, lavar e etc.
Essa é minha realidade (hoje), é a de muitos, mas não da maioria dos brasileiros. Pois como muito já se disse: infelizmente, estamos atravessando a mesma tempestade, mas não estamos no mesmo barco!
Então, como Socióloga e Antropóloga não posso me furtar a reflexão de que a pandemia do novocoronavirus só aprofundou as desigualdades sociais. Com esse novo formato de educação à distância, milhares de crianças estão confinadas, tendo aulas virtuais em casa, outras milhares de crianças, em número bem maior, não dispõem de computadores, nem internet, e ainda lhes faltam o principal que é o alimento em suas mesas. Com as aulas suspensas em suas escolas, muitas não estão em casas cumprindo o isolamento social, mas nas ruas, brincando, ajudando seus pais no trabalho informal, retrato recorrente nas periferias de nossas cidades.
Essa realidade me é muito próxima e familiar, pois vivi parte da minha vida na periferia de Belém. Senti na pele as dificuldades sociais e econômicas, que hoje passam muitos brasileiros. Lembro-me dos quilometros que andávamos a pé para ir à escola, pois não se tinha dinheiro para pagar uma passagem em transporte coletivo. O pouco dinheiro que conseguíamos, mal dava para fazermos duas refeições diárias.
Foi diante dessa realidade, que decidi que um dia mudaria a minha condição (e da minha família), por meu próprio esforço, estudando dia e noite... É claro que isso só foi possível graças à existência da escola pública e da universidade pública. E foi um longo caminho percorrido... com muita persistência, abdicações, lágrimas... e posso dizer, não foi fácil chegar até aqui, mas cada conquista, cada sonho realizado, tem peso de ouro para mim.
Então, quando me perguntam sobre a realidade das periferias de nossa cidade, não preciso ir in loco, fazer "trabalho de campo" para poder escrever, sei por experiência, assim como o nativo é o melhor relator da sua cultura, pois o dá em primeira mão, como nos diria Clifford Geertz.
Agora, com a crise, as escolas tiveram que fechar suas portas. As particulares adotaram modernos sistemas de educação remota, mas e as escolas públicas? E seu público? Como ter acesso as aulas à distância? E ainda acrescento mais uma questão, entre tantas outras que assaltam os educadores, sobretudo os mais comprometidos com seu "métier": o que, de fato, nós educadores podemos fazer para AJUDAR nesse tempo tão austero?


domingo, 12 de abril de 2020

DIA 26:
Depois desses três dias celebrando o Tríduo Pascal, finalmente podemos renovar nossos votos batismais, comemorar e dizer ao mundo: Ele vive! Meu coração está em festa! É Páscoa outra vez!
Decidi me recolher (offline) e ficar em oração, pois é um tempo de jejum e oração para nós e, agora, nestes tempos difíceis, mais do que nunca devemos está "conectados" com Deus e fazer uma corrente de oração pela "cura" da humanidade.
Hoje, muito dos meus amigos, familiares e "irmãos catecúmenos" enviaram mensagens de felicitações pela Páscoa e postaram fotografias da Vigília Pascal e do Almoço de Páscoa. Outros postaram consumindo seus ovos de chocolates, símbolo comercial da Páscoa.
Fizemos a nossa Vigília Pascal, na noite anterior. Acendemos nosso Mini Círio Pascal (confeccionado especialmente para as famílias pela Paróquia NSa Rainha da Paz, e entregue nas residências na manhã desse mesmo dia) e participamos pelo youtube da programação. Foi um momento solitário, mas cheio da presença de Deus! Não fizemos nosso "ágape", como de praxe nas Celebrações Pascoais do Caminho Neocatecumenal, nem dançamos " Dayenú" (Isso nos teria bastado!).
Hoje, senti uma imensa  vontade de está com minha família, das nossas reuniões, dos almoços feitos na casa da minha mãe. Apesar de consegui almoçar com ela e minha irmã, tudo foi feito com muito cuidado. Agumas fotografias foram tiradas, mas não para serem expostas ou divulgadas, pois foi um momento de muita intimidade e para ser guardado apenas em nossos corações.
Se pudesse (e as condições atuais me permitissem) gostaria de ter passado meu almoço de Páscoa nas ruas, levando alimento aos que mais precisam. Essa com certeza seria a imagem e mensagem que gostaria de poder compartilhar e que não precisaria de legenda.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

DIA 23:
Offline
<Celebração do Tríduo Pascal>
"Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem, pois eu sou. Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar vos os pés um aos outros". João 13, 13 14.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

DIA 22:
Hoje voltei ao trabalho. Porém como estamos em quarentena, o trabalho está sendo feito de maneira remota. Confesso que já estava querendo voltar a ativa depois de 15 dias de férias antecipadas, que chamei de férias do confinamento. Afinal, como chamar de férias, se estamos em casa isolados, cumprindo quarentena.
É claro que nesses dias não fiquei de pernas para o ar. Aproveitei para dar parecer em processos de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) de professores da Carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), revi alguns projetos e dei aulas para minha menina, que está confinada comigo nessa quarentena e com as aulas suspensas em sua escola.
Ainda por esses dias, não estive bem de saúde e tive que deixar de escrever esse diário e por isso justifico o "offline" em alguns dias. Mas aqui estou eu com tanta coisa para escrever, contudo, não posso me exceder, pois não é esse o propósito desse diário. Mas vamos lá!
Comecei a observar, o quanto estamos reféns nesse período! Digo isso, pois a pandemia do novo coronavirus tem um preço bem alto! E essa conta será paga por todos nós! E alguns pagarão com a própria vida! Mas mesmo no meio da crise tem aparecido oportunistas de todos os lados! A crise que despontou como sendo de saúde, arrastou a economia, mas se encorpou nos aspectos político e ético.
Ontem os EUA somaram 2 mil mortos em 24h pela covid19, e ainda tem pessoas achando que isso é brincadeira; que a economia vale mais do que a vida das pessoas. Enquanto isso, nosso país dividido entre os que defendem o isolamento horizontal (todas as pessoas) e o isolamento vertical (somente os que estão no grupo de risco).
É fato que as previsões estatísticas para o Brasil até a presente data não se confirmaram. E nesse aspecto temos que dar graças a Deus, pois a quarentena, infelizmente, não está sendo levada a sério por todos os brasileiros. Mas, te todo modo, sabemos que uma parte da população adotou o distanciamento social e as medidas de higiene recomendadas como lavar as mãos, usar álcool em gel e, por último, a adoção de máscaras, mesmo de tecido, que até recentemente não eram recomendadas, mas que pela falta do produto no mercado foi pedido (pelo Ministério da Saúde) que cada brasileiro confeccione a sua e use toda vez que tiver que sair de casa.
Sinto que estamos patinando nessa crise, mas que ainda é possível fazer algo! Contudo para isso, é preciso deixar a politicagem e a ganância de lado e darmos as mãos (ainda que virtualmente), pois somente "cada um pensando no outro" vamos conseguir vencer esse vírus.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

DIA 20:
Vinte dias se passaram desde que iniciei esse diário da quarentena. E hoje me propus a refletir sobre o fato de que "toda crise é uma oportunidade para aprendermos algo. É claro que, ela verdadeiramente ensina aos que estão abertos a aprender. Porém, muitos sairão do mesmo jeito que entraram. Outros, tirarão o melhor proveito de cada obstáculo, de cada dificuldade para se edificarem como seres humanos melhores.
A educação é um caminho para aprendermos juntos...

domingo, 5 de abril de 2020

DIA 19:
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"E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para está com vocês para sempre, o espírito da verdade." (João 14, 16-17) 

sábado, 4 de abril de 2020

DIA 18:
Os sábados para mim sempre são especiais. Já coloquei isso em postagens anteriores. Antes de entrarmos em quarentena ia todos os sábados para a Celebração Eucarística do Caminho Neocatecumental. Agora o Seminário Redentoris Mater de Belém está fazendo a transmissão ao vivo pelas mídias sociais.
E pensar que em tempos anteriores, nem sonhávamos em ter uma transmissão desse tipo de celebração pelo facebook ou youtube, tendo em vista que o Caminho nunca recomendou tal prática. Mas agora as circunstâncias nos levam a participar das celebrações por meio remoto.
E essa semana tivemos a maravilhosa notícia de que o Caminho Neocatecumental ganhou uma página oficial, a qual pode  ser acessada em www.caminhoneocatecumenal.org para quem quizer conhecer a verdadeira história do Caminho, contada pelos próprios catecúmentos. E como antropóloga e, agora, neocatecúmena, só posso dizer que "nada melhor do que ouvir dos próprios nativos" quem eles são, o que pensam e querem para si e para os "outros".
Tenho observado, também, que nesse tempo em que enfrentamos a pandemia, as pessoas têm se aproximado mais de Deus. Aqui no Condomínio onde moro, as pessoas começaram os preparativos para o domingo de ramos, sobretudo aqueles que são católicos. Como o isolamento está sendo levado a sério por aqui, houve quem se disponibilizasse para ir à igreja mais próxima e buscar os ramos que foram abençoados pelo padre e distribuir entre os condôminos.
Os moradores tem se mostrado bastante solidários. É nessas horas que as "novas sociabiliades" têm servido para aproximar e ajudar, seja aquele que não pode sair de casa e necessita que alguém compre algo na rua, ou seja uma simples informação. Há também quem se utilize desse expediente para arrecadar doações para as pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Seguimos, dia após o outro, aprendendo com nossos erros, com nossas fragilidades, querendo superar nossos medos e buscando nos tornar humanamente melhores do que já fomos um dia.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

DIA 17:
Hoje foi dia de colocar os pés nas ruas. Fui até à Escola da Isabelle pegar seus livros e aproveitei para resolver algumas questões in loco. É nesses raros momentos quando saio de casa que percebo que poucas pessoas tem cumprido a quarentena. E já que havia ido à Escola, aproveitei, também, para ir ao supermercado. Escolhi um horário, que em princípio considerei estratégico, pois era logo após o almoço, mas para minha surpresa, tinha bastante gente por lá.
Observei muitas pessoas usando máscaras, seja na rua ou no supermercado. Acredito que a coletiva dada pelo Ministro da Saúde, recomendando o uso de máscaras de tecido, na falta da máscara cirúrgicas e N95 (recomendadas para profissionais de saúde, pacientes com covid-19 e quem cuida de pacientes) surtiu efeito. Igualmente, em todos os locais que visitei, verifiquei a disponibilização de álcool em gel e higienização constante de objetos, moveis e espaços. Apesar de que, dificilmente, se encontra álcool em gel para compra nas farmácias e supermercados.
Ainda que a região norte apareça nas estatísticas com menor incidência de casos do novo coronavírus, nem tudo são flores nessa região equatorial. Mais 15 casos foram confirmados, hoje, elevando para 75 o número de casos de covid-19 no estado do Pará. É um cenário que preocupa, pois parece que estamos diante somente da ponta do iceberg e que o pior está por vir.
Os noticiários e as programações televisivas estão praticamente todas voltadas para cobrir essa catástrofe que, se quizermos ter um pouco de paz e preservar nossa saúde mental, é preferível mantê-la desligada e procurar outras atividades que sejam construtivas e emocionalmente agregadoras.
Como tenho postado, de vez em quando tenho adotado o estado "offline". Não se trata de uma fuga, mas de uma higienização mental e espiritual, que todos nós precisamos.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

DIA 16:
Hoje o mundo registrou mais de 1 milhão de pessoas infectadas pelo novo coronavirus. É um dado assustador, considerando que a maioria dos países do globo possuem casos de covid-19. As consequências são aterradoras, pois pessoas de regiões de extrema pobreza, como as situadas no continente africano, também estão sendo vitimadas pela doença. Se esse vírus se tornou um pesadelo para países ricos e desenvolvidos, com melhores condições socioeconômicas, quais as consequências para países pobres e com altas taxas de desigualdades sociais?
Pouco se ouve falar nos noticiários sobre os avanços da doença nos países africanos. Mas o novo coronavírus está em plena expansão por lá. E como seguir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de ficar em casa, se "os africanos são obrigados a sair de casa todos os dias para buscar comida (...)", conforme relatado por Denis Mukwege, laureado com o Nobel da Paz, por suas atividades humanitárias no Congo Oriental.
Acredita-se que é na África que o coronavírus poderá fazer o maior número de vítimas fatais. Com sistemas de saúde precários e economias deterioradas pelos países mais ricos, dificilmente os países africanos terão condições de promover barreiras para se proteger dos avanços da covid-19. Infelizmente, o mundo assistirá um massacre muito pior do que está acontecendo hoje na Itália, Espanha e EUA.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

DIA 15:
E hoje completam 15 dias que nosso estado adotou o distanciamento social preventivo. O número de infectados continua aumentando no Brasil e no nosso estado, apesar de que a região norte aparece com a menor incidência de infectados pelo novo coronavirus. Não sei quando vamos conseguir sair dessa condição (isolamento/distanciamento), pois as coisas por aqui estão só no início.
Confesso que venho tentando, a cada dia, fazer algo diferente, para não ficar entediada e nem deixar a minha menina estressada com o isolamento. E ela também vai inventando as coisas para sair da rotina ou criar novas. Desde ontem, resolvi ensiná-la a tocar violão. Mas não se trata de seguir um programa. Deixo que ela dê o tom e o ritmo do que ela quer fazer.
Ficar em casa, tem me feito pensar sobre as minhas prioridades na vida. Esse vírus chegou e congelou nossos projetos, fez a gente dar valor as pequenas coisas e arranjar tempo para outras, que se tivéssemos na correria de antes nem daríamos atenção. Foi ai que me lembrei do Menestrel, de Willian Shakespeare. Nossa como gosto do Menestrel, ele diz tudo e a gente não precisa dizer nada, basta se deleitar em suas palavras...

O Menestrel – William Shakespeare
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.