segunda-feira, 20 de abril de 2020

DIA 34:
"Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo". Essa frase foi escrita por George Santayana, pseudônimo de Jorge Augustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, um filósofo, poeta e ensaísta espanhol que fez fama escrevendo em inglês.
Começo o relato de hoje com essa frase para fazer referência ao momento presente, em que nosso país atravessa uma pandemia, com impactos nunca antes testemunhados por nossa geração e, ao mesmo tempo, uma crise política (e socioeconômica), onde brasileiros chegaram a pedir intervenção militar, em frente ao Quartel General do Exército, esquecendo um passado recente em que vivemos um "regime militar", quando nossos direitos de ir e vir, de eleger nossos representantes, de livremente nos expressar foram totalmente cerceados e milhares de pessoas foram torturadas.
A frase, na íntegra está no livro "A vida da razão", publicado em 1905, no capítulo 12: "O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os 'selvagens' , a infância é perpétua. Aqueles que não consegem lembrar o passado estão condenados a repetí-lo".
E eis que ontem, aproveitando o dia do Exército brasileiro, o povo desmemoriado pede o retorno da "ditadura", sem nem sequer fazer um exercício de reflexão do que representa uma "ditadura militar". Expressão que, bem sei, nem os militares utilizam, pois preferem usar "regime militar" para se referir aos períodos históricos em que o Brasil esteve sob o comando exclusivo dos militares.
Claro que tudo isso, impulsionado por um discurso de que a economia do país será arrasada por conta das medidas adotadas por governadores e prefeitos de distanciamento social e fechamento do comércio não essencial, para enfrentamento da covid-19, conforme preconizado pela Organização Mundial de Sáude (OMS).
Enquanto um grupo se alia ao Presidente para reabrir o comércio, a doença cresce e avança nas várias cidades, sobrecarregando os hospitais, pronto socorros e unidades de pronto atendimento (UPA). Pessoas começaram a morrer em suas casas, nas ruas, dentro de seus carros, em busca de atendimento médico, e muitos, nem sequer tiveram a chance de fazer a testagem para covid-19... :(

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