domingo, 26 de abril de 2020

DIA 40:
Hoje fazem quarenta dias, desde que iniciei esse diário. Marca também a data que iniciamos a quarentena em Belém do Pará, cidade onde trabalho e resido com minha família. Quarentena se refere à restrição de atividades ou separação de pessoas que foram presumivelmente expostas a uma doença contagiosa (no nosso caso a covid-19), mas que não estão doentes (porque não foram infectadas ou porque estão no período de incubação).
Quando decidi escrever esse "Diário da Quarentena", pensei em primeiro lugar, num blog em que eu pudesse ajudar as pessoas, mostrando pequenas atitudes, novos valores, vivências diárias, meu ponto de vista, como antropóloga e socióloga, sobre os impactos sociais da pandemia e levar um pouco de paz e esperança, nesses tempos tão difíceis em que estamos vivendo.
E eis que chegamos até aqui... um dia que nós reserva notícias tristes, pois o sistema de saúde entrou em colapso, em várias cidades brasileiras (e esse é nosso caso, em Belém/PA). Muitas pessoas estão falecendo em casa, na frente dos hospitais e upas, sem conseguir atendimento médico. E a realidade, que assistimos assombrados pela mídia televisiva e pela internet, de outros países, agora se faz presente entre nós.
Só hoje, no Brasil, foram confirmados 189 mortes e mais 3.379 novos casos de covid-19, elevando para 68.888 o número de casos confirmados no país, dados que se acredita, estejam subnotificados, pois a taxa de testagem ainda é muito baixa em nosso país e muitas pessoas estão com os sintomas da doença e se tratando em casa, sem que tenham feito o exame para confirmação da doença.  No mundo, já se ultrapassou a marca de três milhões de pessoas infectadas, com mais de 200 mil mortes pelo novo coronavírus.
Hoje, perguntei-me, se Zygmunt Bauman (Sociólogo Polonês) estivesse vivo, como ele analisaria esse tempo em que estamos vivendo? E dele a frase: "Como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixos?" Esse extrato me veio logo a mente, pois estamos confinados, e é neste momento, que precisamos tanto do apoio de nossos familiares e amigos. E sempre penso nos meus amigos que estão em isolamento/distanciamento, sozinhos, que não tem com quem conversar, dividir os amores e as dores desse tempo de pandemia...
E para finalizar, vos deixo com a própria fala de Z.B., cujo pensamento está mais vivo do que nunca e seu legado continua pertinente à análise do momento presente. 
"Tento juntar palavras para dizer às pessoas
quais são os problemas, de onde eles vêm,
onde se escondem, como encontrar ajuda
para resolvê-los se for possível. Mas são
palavras. E não nego que são poderosas,
porque a nossa realidade, o que nós
pensamos que é o mundo, esta sala, nossa
vida, nossas lembranças são palavras."
Zygmunt Bauman

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