Hoje fazem
quarenta dias, desde que iniciei esse diário. Marca também a data que iniciamos
a quarentena em Belém do Pará, cidade onde trabalho e resido com minha família.
Quarentena se refere à restrição de
atividades ou separação de pessoas que foram presumivelmente expostas a uma
doença contagiosa (no nosso caso a covid-19), mas que não estão doentes (porque
não foram infectadas ou porque estão no período de incubação).
Quando decidi
escrever esse "Diário da Quarentena", pensei em primeiro lugar, num
blog em que eu pudesse ajudar as pessoas, mostrando pequenas atitudes, novos
valores, vivências diárias, meu ponto de vista, como antropóloga e socióloga,
sobre os impactos sociais da pandemia e levar um pouco de paz e esperança,
nesses tempos tão difíceis em que estamos vivendo.
E eis que
chegamos até aqui... um dia que nós reserva notícias tristes, pois o sistema de
saúde entrou em colapso, em várias cidades brasileiras (e esse é nosso caso, em
Belém/PA). Muitas pessoas estão falecendo em casa, na frente dos hospitais e
upas, sem conseguir atendimento médico. E a realidade, que assistimos
assombrados pela mídia televisiva e pela internet, de outros países, agora se
faz presente entre nós.
Só hoje, no
Brasil, foram confirmados 189 mortes e mais 3.379 novos casos de covid-19,
elevando para 68.888 o número de casos confirmados no país, dados que se
acredita, estejam subnotificados, pois a taxa de testagem ainda é muito baixa
em nosso país e muitas pessoas estão com os sintomas da doença e se tratando em
casa, sem que tenham feito o exame para confirmação da doença. No mundo,
já se ultrapassou a marca de três milhões de pessoas infectadas, com mais de
200 mil mortes pelo novo coronavírus.
E para finalizar, vos deixo com a própria fala de Z.B., cujo pensamento está mais vivo do que nunca e seu legado continua pertinente à análise do momento presente.
"Tento juntar palavras para dizer às pessoas
quais são os problemas, de onde eles vêm,
onde se escondem, como encontrar ajuda
para resolvê-los se for possível. Mas são
palavras. E não nego que são poderosas,
porque a nossa realidade, o que nós
pensamos que é o mundo, esta sala, nossa
vida, nossas lembranças são palavras."
Zygmunt Bauman
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