domingo, 31 de maio de 2020

DIA 75:
"Quando você descobre para o que nasceu, tudo passa a fazer sentido." Gilberto Dimenstein

sábado, 30 de maio de 2020

DIA 74:
A vida é como jogar uma bola na parede:
Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul;
Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde;
Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca;
Se a bola for jogada com força, ela voltará com força.
Por isso, nunca "jogue uma bola na vida" de forma que você não esteja pronto a recebê-la.
A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.
Albert Einsten

Que diante dessa pandemia, saibamos e tenhamos consciência daquilo que estamos enviando para VIDA. Seu gesto pode afetar positiva ou negativamente a sua VIDA e, também, a de quem você ama.

#todasasvidasimportam

sexta-feira, 29 de maio de 2020

DIA 73:
Hoje perdemos Pe Bruno Sechi. São muitas perdas, todos os dias... e apesar de não estarmos em curva descrescente, no número de morte, alguns estados, dentre eles o Pará, já estuda reabrir o comércio, shopping, cinema, nas próximas semanas... 😔
#em luto
#todasasvidasimportam

quinta-feira, 28 de maio de 2020

DIA 72:
Deixe a VIDA fazer com você o que a primavera faz com as FLORES.
Pablo Neruda

quarta-feira, 27 de maio de 2020

terça-feira, 26 de maio de 2020

DIA 70:
"Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade". Cora Coralina

segunda-feira, 25 de maio de 2020

domingo, 24 de maio de 2020

DIA 68:
Hoje, o Povo Assurini perdeu Sakamiramé Assurini, cacique, um dos indígenas mais velhos da Terra Indígena Trocará. Sakamiramé foi mais uma vítima da covid-19, que avança letalmente sobre os indígenas espalhados por todo o território brasileiro e, na aldeia Trocará, já somam duas perdas, pois ontem, Ponakatu (Vanda) Assurini, também não resistiu e veio a ôbito, estando outros indígenas em estado grave, em Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Tucuruí/PA.
Conheci Sakamiramé em 2002, quando fui a primeira vez na Terra Indígena Trocará e recebo com muito pesar a notícia de sua partida e de Ponakatu. Poraké, esposo de Ponakatu também está com covid-19 e em estado grave na UPA de Tucuruí. Já existem vários casos suspeito na aldeia Trocará...
Infelizmente, temos assistido o descaso do governo em reconhecer e assistir os povos indígenas. Estes são muito mais vulneráveis do que a população não indígena por sua histórica relação (desigual) de contato; costumes de cada povo e; modos de viver em suas aldeias. Soma-se a isso, a necessidede de melhor assistência por parte da Secretaria de Assistência à Saúde Indígena (SESAI).
Sabemos, a partir de estudos recentes que se nada for feito, os povos indígenas serão dizimados e com eles, saberes ancestrais. Quando morre um indígena não é só mais uma pessoa que se vai... Para muitos povos, a perda de uma pessoa indígena representa a extinção de uma língua indígena, de saberes, tradições, cantos, que não mais serão transmitidos as novas gerações...
Então aqui, manifesto meu LUTO por todos os que partiram, pois TODAS AS VIDAS IMPORTAM.
🖤

sábado, 23 de maio de 2020

DIA 67:
"Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente / Que a morte não me encontre um dia / Solitário sem ter feito o que eu queria..."
(Mahatma Gandhi)
Vocais de Beth Carvalho e Mercedes Sosa.
#todasasvidasimportam

Com essa canção, lembro, hoje, que todas as vítimas da covid-19 tinham rostos, histórias, sonhos e memórias... muitos eram guardiões de suas tradições, de suas culturas, como Ponakaru Assurini (Vanda Assurini), esposa de Porakê Assurini, líder de seu povo (ainda internado e em estado grave), que nos deixou e agora habita outro plano... que possamos não ser indiferente a dor dos "outros", pois todas as vidas importam.

Eu Só Peço a Deus

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que queria

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus 
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver.

Canção de Beth Carvalho e Mercedes Sosa


sexta-feira, 22 de maio de 2020

DIA 66:
O ABRAÇO é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem que ser dito soletra-se no silêncio. ❤
#diadoabraço
#logovoltaremosanosabraçar

quinta-feira, 21 de maio de 2020

DIA 65:
Quais nossas prioridades de vida para os dias que virão? O que essa pandemia tem a nos ensinar? Sei que gastamos parte de nossas vidas preocupados em acumular, consumir, ter sucesso profissional, trabalhar para ter e dar segurança para nossas famílias... seguíamos nossas vidas, cronometradas pelo relógio... foram muitas horas não dormidas, encontros familiares e abraços que não aconteceram, porque não podíamos parar... mas de repente tudo parou...
Hoje, confinados, contamos os dias para que tudo isso passe... para que possamos sair as ruas, ABRAÇAR as pessoas, sorrir, não com os olhos, mas com os lábios, pintados com todas as cores da FELICIDADE. Saltar, correr, rodopiar, não ter que ficar um metro distante UM do OUTRO. Esbarrar propositalmente em alguém, só para sentir o calor humano, o peso e valor da interação social... 
Mas ainda vai demorar um pouco para que voltemos a nos abraçar, pelo menos em público e nos espaços públicos. Assim como, acredito, também, não iremos guardar tão cedo nossas máscaras faciais. protocolos do tipo: "mantenha um metro de distância" ainda deve fazer parte de nossa rotina por um bom tempo.
Já vivíamos uma sociabilidade acentuadamente marcada pelos contatos virtuais via redes sociais. Sempre falo sobre isso nas minhas aulas de Sociologia. Nosso sentimento de família estava lá... numa foto, numa postagem... mas com a pandemia, esse sentimento, que parecia tímido, e mais para desmonstrar um status harmonizado, encontrou o seu verdadeiro sentido.
Acredito que no mundo pós-pandemia teremos muito mais certeza sobre nossas prioridades. O cuidado com nossos familiares, as reuniões presenciais com nossos amigos e entes queridos terão muito mais peso e nossas ESCOLHAS, antes movidas, muitas vezes exclusivamente pela ambição, passarão pelo filtro das nossas emoções e afetos, pois teremos aprendido quão grande é o valor da VIDA.

Hoje foram registradas 1.188 mortes em 24 horas pelo novo coronavírus. Maior número de pessoas vitimadas em 24 horas desde o início da pandemia em nosso país. Por trás de cada pessoa, uma história, sonhos interrompidos...
#todasasvidasimportam

quarta-feira, 20 de maio de 2020

DIA 64:
Hoje fiquei pensando, será que estamos preparados para retomar nossas vidas? Foram muitos planos interrompidos, muitos sonhos deixados para trás, muitas vidas ceifadas, pessoas que nunca mais veremos... quando vimos já estávamos mergulhados nesse caos que se tornou nossos dias, tendo que adotar novos comportamentos, hábitos, protocolos, dentre eles, a quarentena, o isolamento e, por fim o "lockdown"...
Penso que o ano de 2020 infelizmente mal começou e já acabou. Dificilmente, conseguiremos recuperar o ano letivo, seja para Educação Básica, seja para o Ensino Superior. E mesmo que as crianças e jovens retornem às escolas, no segundo semestre, não temos garantia de nada... enquanto não houver uma vacina, o medo de uma segunda onda do novo coronavírus sempre estará a nossa sombra... poderemos até estar juntos novamente, mas isso nos manterá "distantes" por muito tempo...
O fato é que quando a pandemia passar (e se /e quando passar), não seremos mais os mesmos. Carregaremos conosco tudo o que vivemos nesse período em que estivemos isolados, reclusos, exilados, ou "em estado de protocolo" para os que tiveram que ficar no front da pandemia.
Para muitos terá sido um período traumático, de penúria, de dor, de sentimento de impotência... não podemos esquecer que milhões de pessoas poderão sobreviver a covid-19, mas continuarão padecendo dos problemas de antes da crise sanitária, como o desemprego, a fome, a miséria, que, num mundo pós pandemia estará muito mais acentuado.
São muitos desafios a serem enfrentados. Mas por hora, temos que fazer a "travessia", e para isso precisamos cuidar da nossa saúde de maneira integral. E nesse aspecto, não basta que estejamos bem fisicamente, precisamos está e ficar bem, mentalmente e espiritualmente. Então que cada UM possa se reconciliar consigo mesmo, para que cuidando de si, possamos, também, cuidar de TODOS! E possamos fazer isso: uns pelos outros!

terça-feira, 19 de maio de 2020

DIA 63:
Hoje, quando o Brasil atingiu mais de mil mortes em 24 horas (1.179), mais um de nossa família se despediu desse plano, vítima da covid-19. Era jovem, muito querido... deixou sua esposa, familiares, amigos... e uma vida cheia de planos...

O coração permanece em luto. 😔

Deixo-vos com essa reflexão, postada em homenagem ao Charles+, que tantas alegrias proporcionou, em vida, aos seus entes queridos...

Somos de vidro, também de pedra, água e areia...
Viajantes do tempo.
O remetente e o destinatário.
Tudo que jogamos contra o vento vem ao nosso encontro.
Somos o próprio reflexo que vemos no espelho e além dele.
Somos a vida e a morte.
O tudo e também o nada.
Somos idealizadores, sonhadores, propagadores.
Feitos de inocência num mundo de regras.
Maldosos ou bondosos - no tempo exato...
Ora oferecemos riscos, ora somos a mais perfeita das ternuras.
O ponto de encontro está em cada um de nós.
Encontrar-se é o desafio.
Entender-se sagrado é o caminho.
Enxergar "além de", é o que falta.
Permitir-se acolher o irmão e entender que ele é tão frágil e tão forte como nós é a meta.
Que ninguém é melhor do que ninguém. No final das contas somos pó...
Nem sempre intactos.
Nem sempre puros...
O importante é buscar, olhar para dentro de si e observar que o mundo é benção, que somos filhos da Graça - temos a divindade dentro de nós...
"Sejamos gratos às pessoas que nos proporcionam felicidade, são elas os adoráveis jardineiros que nos fazem florir a alma."
(São Tomás de Aquino)

segunda-feira, 18 de maio de 2020

DIA 62:
Que possamos ter leveza na alma... e não desistir de nossos sonhos. ❤

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo".
Fernando Pessoa

domingo, 17 de maio de 2020

DIA 61:
"Dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários".
C. S. Lewis

sábado, 16 de maio de 2020

DIA 60:
Hoje completam sessenta dias, desde que iniciei esse Diário. São praticamente dois meses em que estamos em quarentena e resolvi falar um pouco sobre os motivos que me levaram a escrever esse Diário da Quarentena, sobretudo, para o leitor que somente tomou conhecimento de sua existência, com a publicação do vídeo "Diário de uma Antropóloga em Tempos de Pandemia", no Canal Diálogos Online, do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), da Universidade Federal do Pará (UFPA), do qual sou integrante.
Primeiramente, esclareço que o "diário de campo" é um instrumento de investigação utilizado pelos antropólogos para fazer Etnografia. A prática do diário se tornou amplamente conhecida a partir dos estudos de Bronislaw Malinowski que realizou fieldwork (trabalho de campo) entre os trobiandeses, na Melanésia e resultou numa das mais conhecidas etnografias clássicas, no âmbito da Antropologia Cultural: Os Argonautas do Pacífico Ocidental. Nesse livro, ele dedica um capítulo para falar do objeto e do método utilizado em sua pesquisa, onde aparece as recomendações do "diário de campo". Este foi incorporado como ferramenta de pesquisa, do antropólogo, ainda que, depois de Malinowski tenham surgido outras correntes teóricas antropológicas, que refutaram suas premissas funcionalistas, permanecendo até os dias atuais.
No início da quarentena, em Belém do Pará, decidi escrever esse Diário, pois foi a maneira que escolhi enfrentar a pandemia do novo coronavírus, SARS CoV-2. Por meio dele, venho colocando o papel das Ciências Sociais, em especial da Antropologia, no enfrentamento dessa doença. O Diário está escrito numa linguagem intimista e apresenta o meu ponto de vista sobre a pandemia, como enxergo seus impactos sociais, maneiras em que podemos ajudar as pessoas a atravessar esse tempo, que como tenho descrito, não está sendo fácil, mas juntos, ainda que fisicamente distantes, conseguiremos atravessar, pois estamos socialmente conectados.
Tenho relatado, também, como eu tenho ajudado as pessoas, com pequenas ações e atitudes, que acredito "se cada um fizer um pouco, logo estaremos fazendo muito". Essas ações envolvem desde ajuda material, como já escrevi sobre a doação de máscaras faciais (face shields) e cestas básicas a um pedido de oração para uma pessoa (ou várias) que estão em leito de UTI. Confesso que, já ajudei de tantas maneiras diferentes, que não me permiti, aqui registrar e preferi deixar guardado no meu ❤.
Espero que esse Diário, de alguma maneira, ajude, você leitor, a OLHAR o mundo com olhos diferentes, como um antropólogo quando chega numa "sociedade desconhecida", mas que ao OLHAR, você se incline para fazer a DIFERENÇA, pois essa VIDA é uma experiência ÚNICA. Então, que o nosso LEGADO seja o MELHOR que pudermos deixar de nós mesmos.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

DIA 59:
Hoje fique pensando na (in)sustentável leveza do ser. Uso esses termos parafraseando Milan Kundera, escritor theco, do romance "A insustentável leveza do ser", publicado em 1982 e traduzido para mais de 30 línguas e editado em vários países. O romance é protagonizado por Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Cada um deles experimenta, de maneira peculiar,  o peso insustentável que baliza a vida, um permanente exercício de reconhecer a opressão e tentar amenizá-la.
Li esse romance quando era bem jovem, mas diante dos acontecimentos que se impõem a nossas vidas no momento presente, não pude deixar de fazer essa associação. O momento histórico do livro é o período da guerra fria e o cenário é Praga, no centro da Europa, especificamente 1968, quando acontece a "Primavera de Praga". O autor se ampara em filósofos como Nietzsche e Parmênides para inserir reflexões sobre o que é "ser um espírito livre".  Nosso cenário? O Brasil. Os protagonistas? Todos nós! O enredo? Em construção...
Quem conhece o romance, sabe que ele foi escrito no exílio por Milan Kundera e que possui fortes críticas ao regime comunista. E antes que me perguntem, adianto, o que sempre esclareço em minhas aulas de Sociologia: sou contra qualquer regime político totalitário, seja ele de direita ou de esquerda, como já coloquei em outras postagens, nesse Diário. Portanto, o questionamento presente no romance: "um imbecil sentado no trono está isento de toda responsabilidade pelo simples fato se ser um imbecil?" bem pode ser aplicado a quem está, hoje, posto no cargo mais elevado de nosso país.
O que me chama atenção no romance é a reflexão filosófica sobre o ser o humano, sobre o que é "leve" e "pesado" nos nossos nossos relacionamentos; o que faz da nossa rotina algo leve ou insustentável; como nos apoiamos nos outros; quem somos e nos comportamos quando estamos sozinhos, com medo; como podemos enxergar e enfrentar a vida de modos diferentes, diante das adversidade; ou ainda, como resistir e não desistir a cada tempestade.
E trazendo a discussão para os aspectos do "positivo" e "negativo", "leve" e "pesado" (Parmênides), meu grupo de whats up de condomínio, que no início da pandemia muito ajudou, sobretudo quando apareceram os primeiros casos de covid-19 por aqui, agora mais parece uma arena com "gladiadores" em combate, uns contra os outros. O motivo: quem é contra ou a favor do lockdown; quem apoia ou não apoia as decisões do presidente; quem é a favor ou contra o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19... subscrito há uma enquete: quem é a favor da vida e quem é a favor da economia. As discussões tem se tornado "insustentáveis"... e como sabemos, esses desentendimentos virtuais saltam para o campo concreto do  "face to face", colocando-nos mais um problema, da ordem dos interpessoais, para se juntar aos da crise sanitária em que estamos vivendo.
Outra coisa que me chama atenção é sobre o "eterno retorno" (Nietzsche) que podemos associar com a repetição, hoje, do que vivemos no passado com a gripe espanhola. Conhecida também como gripe de 1918, surgiu com uma vasta e mortal pandemia do virus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920 infectou 500 milhões de pessoas, um quarto da população mundial e é tida como uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. No Brasil, foram cerca de 350 mil pessoas infectadas. Naquela época, também se minimizou os efeitos e gravidade da doença; que a moléstia teria sido uma criação dos alemães; houve pouco investimento em pesquisas para encontrar a vacina; houve ataque e censura à imprensa e; perda de tempo procurando culpados, em detrimento de união para se salvar vidas.
Parece que estamos condenados a repetir os erros do passado... enquanto o ser humano insiste colocar sua vida (e de outros) na "balança" para, então, tomar suas decisões... 😔

quinta-feira, 14 de maio de 2020

DIA 58:

Depois de ultrapassar mil mortos (1.022) o governo do Pará decretou três dias de luto oficial em nosso estado. E nessa mesma noite recebi a notícia de mais uma morte, dessa vez, na família do meu esposo. No Brasil, só nas últimas 24 horas foram 844 mortes pela doença.
Meu coração permanece enlutado. Tenho buscado minha saúde física, calma para minha mente e paz para meu espírito, o que só a ORAÇÃO tem me proporcionado! Como nos disse Pitágoras "a melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçar é se aproximar de DEUS".
Nesses dias, tenho recebido apoio e carinho de meus amigos e familiares. Temos orados juntos, pela "cura da humanidade". Sei que essa, também, é uma maneira de ajudarmos as pessoas. Muitos estão nos leitos de hospitais, em UTI, à espera de milagres. E eles têm acontecido. Eu creio! Pois "para Deus nada é impossível" (Lc 1,37).
Isabelle hoje me perguntou qual era o meu "super poder", já que para ela sou uma heroína, na verdade, uma "fada", pois diz que ajudo as pessoas. E ainda disse: é por isso que as pessoas te chamam "fada madrinha" (apelido que ganhei dos meus sobrinhos afilhados)?
Foi então que resolvi explicar para ela de maneira diferente: "sou um anjo, sem asa, que Deus colocou na terra, para ajudar as pessoas, e nada esperar em troca, pois é isso que os anjos fazem! Quem ensinou isso: Jesus Cristo! Foi ele que nos disse que devemos amar uns aos outros, como o Senhor nos amou".
Sei que muitas pessoas são atéias, outras cristãs, outras islamistas e respeito cada uma. Escolhi continuar na Religião, que me foi transmitida pelos meus pais. É o que me faz bem! Então, procuro transmitir a FÉ para minha filha. Sei que a prática da intolerância religiosa é real e está presente entre nós. Como antropóloga, incentivo seguir o caminho da compreensão das várias religiões do mundo, pois o conhecimento proporciona o RESPEITO e AMOR pela DIFERENÇA. ❤

quarta-feira, 13 de maio de 2020

DIA 57:
13 de maio, dia da abolição da escravatura. Não há nada para se comemorar! O próprio movimento negro não comemora a data, por uma razão muito simples: o tratamento dispensado aos ex-escravos no Brasil. Como bem explicou Florestan Fernandes, sociólogo, em sua a obra "A integração do negro na sociedade de classes", em 1964, após a abolição da escravidão, os negros (ex-escravos) não foram absorvidos no novo formato de trabalho, nem se criaram políticas de inclusão na sociedade, então, reorganizada.
Os ex-escravos sobreviveram em condições de extrema desigualdade e práticas de racismo que perduram até os dias atuais. O racismo é uma das formas mais cruéis de intolerância estabelecidas ao longo da história da humanidade. Tem por base a negação do "outro" e da possibilidade de coexistência entre diferentes.

terça-feira, 12 de maio de 2020

DIA 56:
Hoje o Brasil bateu novo número de mortes em 24 horas: foram 881 pessoas perdidas para a covid-19. São dias nebulosos e de muita tristeza. Meu coração permanece em luto.
#todasasvidasimportam

segunda-feira, 11 de maio de 2020

DIA 55:
Em luto pelo meu avô, por aqueles que também perderam seus familiares e pelas vítimas da covid-19 do mundo inteiro.
#todasasvidasimportam

domingo, 10 de maio de 2020

DIA 54:
Infelizmente, hoje, perdi meu avô para covid... ele tinha 91 anos, estava com a saúde bem fragilizada... quando se descobriu a doença, seu pulmão já estava todo comprometido... chegou a ser internado, mas não resistiu... minha mãe ficou muito abalada... não teve velório... não teve despedida... não pudemos enterrar meu avô... ficou um profundo vazio, que jamais será preenchido... 
Hoje, dia das mães, não ia sair de casa, pois estou cumprindo o isolamento, mas diante do estado da minha mãe, fui até sua casa... não pude abraçá-la... para lhe confortar nesse momento tão triste... fiquei de longe, com máscara, só pude dizer algumas palavras... porque nesse momento, de dor, a gente não consegue falar quase nada!
Era para ser um dia alegre, mesmo distantes fisicamentes, estamos conectados, todos os dias. Gravei um vídeo para enviar para ela assim que eu acordasse... mas muito cedo acordei com o telefone tocando: era ela... dando uma notícia que ninguém quer receber! Sobretudo nesses tempos de pandemia.
Penso que estamos suscetíveis a passar por isso, diante desse momento difícil que estamos vivendo... então precisamos nós cuidar e cuidar de quem nós amamos! E mais, precisamos aprender a cuidar do "outro", mesmo que ele seja um desconhecido... é assim, que acredito, que sairemos pessoas melhores dessa pandemia.
Sigo ajudando as pessoas! Quando tudo isso passar quero está viva, mas também quero ter a certeza em meu ❤️ que fiz alguma coisa boa (ou várias) para ajudar no enfrentamento dessa pandemia.

sábado, 9 de maio de 2020

DIA 53:
Em oração pela cura da humanidade.
"Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações. (Sl 97, 1s)
V Domingo da Páscoa
#Elevive

sexta-feira, 8 de maio de 2020

DIA 52:
Nesse quinquagésimo segundo dia em que estamos de quarentena, no nosso Estado, assistimoss incrédulos os números de mortes diárias por covid-19 dispararem. Hoje com mais de 750 mortes, em 24 horas, confirmadas pelo novo coronavírus, o Brasil se torna novo epicentro da epidemia, ficando atrás, somente dos Estados Unidos, em número de mortes diárias.
Um misto de dor e angústia tem tomado conta de nós brasileiros. Não tem como descrever a situação vivida sem nos emocionar, pois passamos a ter uma relação muita próxima com a morte... são parentes, amigos, colegas de trabalho... que estamos perdendo para essa doença...
E parece que estamos longe do fim... muitos não conseguirão realizar a travesia... o governo de nosso estado decretou lockdown, na tentativa de diminuir a curva do contágio, que como já postei anteriormente é muito maior do que o previsto pelas estatísticas oficiais de nosso país.
O sistema de saúde entrou em colapso, mortos estão sendo enterrados em valas comuns, sem velório, sem despedida dos familiares... São cenas de horror, que há poucos meses assistíamos na europa estarrecidos, mas hoje o episódio se repete diante de nossos olhos...
Fico me questionando: como estaremos depois dessa pandemia? Poderemos ainda está vivos, mas uma parte de nós também terá ficado para trás... nosso coração haverá de está triste, saudoso, pelas pessoas que perdemos, por aquilo que não vivemos... pelo que a doença nos tirou...
Minha esperança é que possamos nos tornar pessoas melhores e mais humanas com tudo isso... lembro-me da fala do meu professor orientador de graduação e mestrado, Dr. Samuel Sá. Quando ele perdeu sua esposa, nos relatou que mesmo diante da morte de sua querida Elisa Sá, procurou tirar um aprendizado...
Que nós possamos nos reinventar e nos reencontrar com uma versão bem melhor de nós mesmos, num futuro bem breve! S2

quinta-feira, 7 de maio de 2020

quarta-feira, 6 de maio de 2020

DIA 50:
"Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida, já é a própria vida".
Milan Kundera

terça-feira, 5 de maio de 2020

DIA 49:
Hoje fechamos o dia com a notícia de assinatura de Decreto de Lockdown, em nosso estado. A medida vem em resposta ao número crescente de mortes no país e no estado do Pará. Só hoje, o Brasil registrou 606 mortes nas últimas 24 horas.
Com esse alto número de óbitos pelo novo coronavírus, no Brasil, quase não paramos para olhar para nosso vizinho americano, o EUA, que nas últimas 24 horas teve 2.333 novas mortes por covid-19.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

DIA 48:
"Tem dias em que a gente precisa ser só da gente, se desconectar do mundo, entrar em uma frequência individual e organizar a bagunça interior!
E sabe de uma coisa? Está tudo bem!"
(@vaisozinha)

domingo, 3 de maio de 2020

DIA 47:
Enquanto alguns países começaram anunciar o fim do contágio comunitário e o retorno gradual de suas atividades, a exemplo da Nova Zelândia, por aqui, o número de casos só aumenta. Já são mais de 100 mil casos testados positivos e 7.025 mortes confirmadas pelo novo coronavírus.
Sabemos que muitos casos nem sequer entraram para as estatísticas do Ministério da Saúde, que recentemente divulgou mais de mil mortes em investigação por suspeita de covid-19. Muitas pessoas com sintomas leves estão em casa se cuidando e outras morreram em casa, sem conseguir atendimento médico, nem teste para diagnosticar a doença. Infelizmente, essa é a triste realidade de nosso país que, atualmente, além da crise sanitária, enfrenta séria crise política, com reflexos imediatos na esfera econômica e social.
Em nosso estado, o governo vem aplicando medidas mais severas de isolamento e promovendo políticas sociais para socorrer a população mais vunerável econômica e socialmente. Estuda, inclusive, a possibilidade de instituir lock down, enquanto não se afasta o "pico" da doença. Só na data de ontem, o país registrou mais de 400 mortes em 24 horas, por covid-19, sendo 10 no estado do Pará (que já acumula quase 300 mortes pela doença).
E eis que a covid-19, também, bateu a nossa porta. O pai da Isabelle, que trabalha na área da saúde, manifestou os sintomas e está em casa, em isolamento...

sábado, 2 de maio de 2020

DIA 46:
"A vida não pode ser medida por batidas do coração ou ondas elétricas. Como um instrumento musical, a vida só vale a pena ser vivida enquanto o corpo for capaz de produzir música, ainda que seja a de um simples sorriso".
Rubem Alves
DIA 45:
Ainda pelo Dia do Trabalho, 01 de maio de 2020...
Minha menina não estava se sentindo bem, então dei medicamento para dor e ela adormeceu no meu colo, depois eu adormeci em seguida...
Então escrevo as memórias desse dia, que havia decidido iniciar com o poema de Pablo Neruda:
*A minhas obrigações*
_Pablo Neruda_
Cumprindo com meu ofício pedra com pedra, pena com pena, passa o inverno e deixa lugares abandonados, habitações mortas: eu trabalho e trabalho, devo substituir tantos esquecimentos encher de pão as trevas, fundar outra vez a esperança. Para mim apenas a poeira, a chuva cruel da estação, não me reservo nada a não ser todo o espaço e nele trabalhar, trabalhar, manifestar a primavera. A todos tenho que dar algo cada semana, cada dia, um presente que seja azul, uma pétala fria do bosque, e já de manhã estou vivo enquanto os outros se submergem na preguiça, no amor, eu estou limpando meu sino, meu coração, minhas ferramentas. Tenho orvalho para todos.
A minhas obrigações_, poema de Pablo Neruda (in Neruda, Pablo. Antologia Poética. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: 1964, p. 145-146).

Foi a maneira que encontrei, para saudar todos os trabalhadores, em especial a equipe de saúde, que tem sido incansável, no combate à covid-19, muitas vezes abdicando de está com seus familiares, tirando do seu bolso para comprar epi e "cumprir suas obrigações" como médicos, enfermeiros, maqueiros, entre outros, que estão na linha de frente no enfrentamento da pandemia.