sábado, 16 de maio de 2020

DIA 60:
Hoje completam sessenta dias, desde que iniciei esse Diário. São praticamente dois meses em que estamos em quarentena e resolvi falar um pouco sobre os motivos que me levaram a escrever esse Diário da Quarentena, sobretudo, para o leitor que somente tomou conhecimento de sua existência, com a publicação do vídeo "Diário de uma Antropóloga em Tempos de Pandemia", no Canal Diálogos Online, do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental na Amazônia (GEAMAZ), da Universidade Federal do Pará (UFPA), do qual sou integrante.
Primeiramente, esclareço que o "diário de campo" é um instrumento de investigação utilizado pelos antropólogos para fazer Etnografia. A prática do diário se tornou amplamente conhecida a partir dos estudos de Bronislaw Malinowski que realizou fieldwork (trabalho de campo) entre os trobiandeses, na Melanésia e resultou numa das mais conhecidas etnografias clássicas, no âmbito da Antropologia Cultural: Os Argonautas do Pacífico Ocidental. Nesse livro, ele dedica um capítulo para falar do objeto e do método utilizado em sua pesquisa, onde aparece as recomendações do "diário de campo". Este foi incorporado como ferramenta de pesquisa, do antropólogo, ainda que, depois de Malinowski tenham surgido outras correntes teóricas antropológicas, que refutaram suas premissas funcionalistas, permanecendo até os dias atuais.
No início da quarentena, em Belém do Pará, decidi escrever esse Diário, pois foi a maneira que escolhi enfrentar a pandemia do novo coronavírus, SARS CoV-2. Por meio dele, venho colocando o papel das Ciências Sociais, em especial da Antropologia, no enfrentamento dessa doença. O Diário está escrito numa linguagem intimista e apresenta o meu ponto de vista sobre a pandemia, como enxergo seus impactos sociais, maneiras em que podemos ajudar as pessoas a atravessar esse tempo, que como tenho descrito, não está sendo fácil, mas juntos, ainda que fisicamente distantes, conseguiremos atravessar, pois estamos socialmente conectados.
Tenho relatado, também, como eu tenho ajudado as pessoas, com pequenas ações e atitudes, que acredito "se cada um fizer um pouco, logo estaremos fazendo muito". Essas ações envolvem desde ajuda material, como já escrevi sobre a doação de máscaras faciais (face shields) e cestas básicas a um pedido de oração para uma pessoa (ou várias) que estão em leito de UTI. Confesso que, já ajudei de tantas maneiras diferentes, que não me permiti, aqui registrar e preferi deixar guardado no meu ❤.
Espero que esse Diário, de alguma maneira, ajude, você leitor, a OLHAR o mundo com olhos diferentes, como um antropólogo quando chega numa "sociedade desconhecida", mas que ao OLHAR, você se incline para fazer a DIFERENÇA, pois essa VIDA é uma experiência ÚNICA. Então, que o nosso LEGADO seja o MELHOR que pudermos deixar de nós mesmos.

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