sábado, 2 de maio de 2020

DIA 45:
Ainda pelo Dia do Trabalho, 01 de maio de 2020...
Minha menina não estava se sentindo bem, então dei medicamento para dor e ela adormeceu no meu colo, depois eu adormeci em seguida...
Então escrevo as memórias desse dia, que havia decidido iniciar com o poema de Pablo Neruda:
*A minhas obrigações*
_Pablo Neruda_
Cumprindo com meu ofício pedra com pedra, pena com pena, passa o inverno e deixa lugares abandonados, habitações mortas: eu trabalho e trabalho, devo substituir tantos esquecimentos encher de pão as trevas, fundar outra vez a esperança. Para mim apenas a poeira, a chuva cruel da estação, não me reservo nada a não ser todo o espaço e nele trabalhar, trabalhar, manifestar a primavera. A todos tenho que dar algo cada semana, cada dia, um presente que seja azul, uma pétala fria do bosque, e já de manhã estou vivo enquanto os outros se submergem na preguiça, no amor, eu estou limpando meu sino, meu coração, minhas ferramentas. Tenho orvalho para todos.
A minhas obrigações_, poema de Pablo Neruda (in Neruda, Pablo. Antologia Poética. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: 1964, p. 145-146).

Foi a maneira que encontrei, para saudar todos os trabalhadores, em especial a equipe de saúde, que tem sido incansável, no combate à covid-19, muitas vezes abdicando de está com seus familiares, tirando do seu bolso para comprar epi e "cumprir suas obrigações" como médicos, enfermeiros, maqueiros, entre outros, que estão na linha de frente no enfrentamento da pandemia.

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