Após quinze dias de férias retornei ao trabalho [remoto] novamente. Chegamos a um cenário com quase 100 mil mortos no Brasil e um platô de mais de mil vítimas diárias da covid-19. Isso nos dá um sentimento de tristeza e ainda mais incerteza. Por mais que haja pressão de todos os lados para o retorno às atividades comerciais e funcionamento presencial das escolas, não temos condições e não teremos, ainda, de voltar, por um longo tempo.
Como já relatei anteriormente, sou professora de uma escola pública federal e venho trabalhando por meio remoto, como aulas síncronas, desde o início da pandemia. Tenho consciência, que as aulas por meio remoto não substituem a riqueza e o valor de se aprender em interação presencial aluno - professor. Porém a crise sanitária de proporção global nos impôs a isso. Sei também, como antropóloga e socióloga, do abismo que existe entre ricos e pobres, que milhões de pessoas não tem como assistir as aulas por falta de acesso às novas tecnologias.
Contudo, penso que não é negando as aulas remotas, que vamos resolver o problema. Discurso do tipo que os EUA e a China disputam o domínio da tecnologia 5G e quem controlar a 5G vai dominar o mundo, e que por isso nos deveríamos ser críticos em relação ao que está por trás das aulas remotas, digo o seguinte: basta olharmos em nossa volta e um pouquinho para história e veremos que os EUA vem há muito tempo capitaneando a liderança econômica global e que as desigualdades sociais são históricas e sempre estiveram presentes. A questão é: o que vamos fazer com essa informação? Vamos nos resignar? Vamos cair na própria armadilha do "negacionismo"?
Os professores ocupam um papel importantíssimo e, ainda que tenhamos que atravessar esse período, que ainda não sabemos quanto tempo vai durar, e fazer uso do ensino à distância, das aulas remotas, das novas tecnologias, isso não diminuirá jamais sua relevância. O que não podemos é deixar um "espaço vazio", pois ai estaríamos nos rendendo. É chegada a hora de cada professor mostrar o seu devido valor e ocupar os espaços, mesmo que sejam "virtuais". E se for para negar alguma coisa, que seja o direito de usar a nossa imagem, a nossa fala, o nosso conhecimento, conquistado com o nosso suor, fazendo mestrado, doutorado, pós-doutorado, a bel prazer do mercado.
Que possamos, urgentemente, preencher esse "vazio", pois o inimigo está à porta!
Nenhum comentário:
Postar um comentário