DIA 14:
Conforme os dias passam me preocupo mais com os impactos sociais e econômicos que essa crise no trará. E nessa disputa entre os que defendem o isolamento horizonal e o isolamento vestical (apenas grupos de risco), tenho procurado analisar os dois lados. Sei que o tão sonhado objetivo de Malinowski de "captar o ponto de vista do nativo" foi refutado pela escola interpretativista de Clifford Geertz, mas me pego querendo entender o ponto de vista de ambos os lados.
Hoje li um artigo do Dr. Carlos Adriano Ferraz, filósofo com Post Doc na Universidade de Nova York e que faz a defesa do isolamento vertical, pois entende que hoje vivemos o isolamento social, mas amanhã será o caos social. Uma das coisas que ele coloca é que as pessoas que estão defendendo a bandeira do "fique em casa" estão confortáveis, pois não foram afetados pela economia, dentre eles servidores públicos, políticos, professores, juristas, que estão com seus salários garantidos.
Ele também chama atenção para o fato de muitos não conseguirem se colocar no lugar dos que tem que ganhar o sustento todos os dias. Acrescentou que o isolamento suspendeu quase toda atividade econômica do país e que há mortes que são "invisíveis" que não estão mais sendo computadas em detrimento do novo coronavirus.
Minha opinião sobre isso, como estudiosa e professora do tema "desigualdades sociais", é que a pobreza, a fome e a miséria tem ceifado a vida de milhares de brasileiros todos os anos e, parece que a sociedade brasileira estava bem confortável com isso (sobretudo os empresários). Os últimos dados do Ministério da saúde registraram que, por ano, mais de 5 mil pessoas morreram por desnutrição e fome crônica, o que dá em média mais de 15 pessoas mortas por dia. Só nos últimos 10 anos foram 63 mil mortes, segundo esse mesmo Ministério.
Esses dados revelam um contracenso, considerando que o Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo e um dos principais produtores de alimentos do mundo. Infelizmente, nosso país ocupa a sétima posição dentre os países mais desiguais do mundo, segundo último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado final de 2019, ficando atrás apenas de nações do continente africano. Mas essa face foi ocultada dos discursos salvacionistas da economia brasileira.
Penso que independente do rumo que tomemos, e se vamos conseguir sair "vivos" ao final, já estamos longe da praia, então não tem como voltar (atrás). Ainda assim, estou feliz, que mesmo que se tenha cometido um erro, entre a economia e a vida, pelo menos dessa vez se escolheu a VIDA.
Minha opinião sobre isso, como estudiosa e professora do tema "desigualdades sociais", é que a pobreza, a fome e a miséria tem ceifado a vida de milhares de brasileiros todos os anos e, parece que a sociedade brasileira estava bem confortável com isso (sobretudo os empresários). Os últimos dados do Ministério da saúde registraram que, por ano, mais de 5 mil pessoas morreram por desnutrição e fome crônica, o que dá em média mais de 15 pessoas mortas por dia. Só nos últimos 10 anos foram 63 mil mortes, segundo esse mesmo Ministério.
Esses dados revelam um contracenso, considerando que o Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo e um dos principais produtores de alimentos do mundo. Infelizmente, nosso país ocupa a sétima posição dentre os países mais desiguais do mundo, segundo último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado final de 2019, ficando atrás apenas de nações do continente africano. Mas essa face foi ocultada dos discursos salvacionistas da economia brasileira.
Penso que independente do rumo que tomemos, e se vamos conseguir sair "vivos" ao final, já estamos longe da praia, então não tem como voltar (atrás). Ainda assim, estou feliz, que mesmo que se tenha cometido um erro, entre a economia e a vida, pelo menos dessa vez se escolheu a VIDA.
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