Nesses onze dias em que passei a ficar em casa, desde que meu estado adotou medida de "isolamento social preventivo" para combater o novo coronavirus, tenho procurado me manter serena e passar tranquilidade para minha família. E penso que, a melhor maneira de atravessar esses dias, que ainda não sabemos quando irão cessar, é desligando a televisão, colocando o smarthphone em modo offline e focando no que se tem para fazer (quem está trabalhando e/ou estudando em casa) ou criando um novo projeto (de vida, de trabalho, de diversão...).
Digo isso porque, infelizmente, o assunto coronavirus tomou conta de praticamente toda a programação televisiva e das mídias sociais. Você liga a televisão, os jornais (ou outra programação) só falam sobre coronavirus, você abre suas redes sociais, são trilhões de postagens sobre coronavirus. Em poucos dias, já aprendemos o que precisamos fazer para nos proteger desse vírus. Então, é só colocar em prática! O resto é discussão sem resultado produtivo, a exemplo de quem é contra ou a favor da campanha "O Brasil não pode parar!", que impulsionou o debate nos últimos dias, no Brasil.
Giovanni Sartori, sociólogo italiano, escreveu um livro intitulado "Homo Videns: televisão e pós pensamento", lançado em 1997 e traduzido em 2001 para o Brasil. Nesse livro o autor chama atenção para o fato de que “o vídeo está transformando o homem sapiens produzido pela cultura escrita em um homo videns no qual a palavra vem sendo destronada pela imagem”. A análise é muito pertinente para os dias atuais, sobretudo em tempos de confinamento, pois é quando tendemos a ficar mais horas diante da televisão e, também, do computador e do smartphone, e não se percebe os efeitos danosos desse veículo de comunicação de massa no desenvolvimento intelectual e afetivo das crianças, e mesmo dos adultos, atrofiado sua capacidade de compreender e produzir ideias.
Hoje, como é sábado não me dei ao trabalho de levantar cedo. A rotina da semana foi um pouco pesada, pois Isabelle está em período de provas. Então, além de minhas atividades, tenho feito revisão com ela das disciplinas, e depois a acompanho na feitura da prova que é on line. Tudo isso, também é novo para ela e, aos poucos ela vai tentando se adaptar a nova rotina que lhe é imposta nesse período de quarentena.
Aproveitei o dia de hoje para fazer pareceres sobre Reconhecimento de Saberes e Competências de professores da esfera federal que trabalham com educação básica, técnica e tecnológica. Mesmo confinada em casa, a vida não para, precisamos dar prosseguimento no nosso trabalho. E foi olhando o memorial dos professores, todos de Sociologia, que fiquei me perguntando sobre o que poderíamos fazer nesse momento de crise?
Sei que nosso futuro ainda é incerto e não sabemos durante quanto tempo vamos permanecer em quarentena, mas de tudo que aprendi, do que penso e dos valores que carrego comigo, não quero ser apenas mais uma olhando e retratando a vida pela janela. Sei que nossa vida tem um propósito, e quando chegar a hora quero está disposta para FAZER A DIFERENÇA!
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